Príncipe de Boxers

Príncipe de Boxers
Príncipe de Boxers

A UEFA e a FIFA sempre foram generosas com as organizações e respetivos dirigentes, com as quais têm relação institucional e desenvolve qualquer tipo de parceria ou negócio.

Como vice-presidente executivo da FIFPRO e membro da Comissão de Litígios da FIFA, no âmbito das muitas reuniões de trabalho, sempre fui convidado, com todas as mordomias e privilégios, para muitos dos eventos sociais e desportivos que se realizavam por todo o Mundo. Com direito a viagem, alojamento, transfer, alimentação e convites Vip para os jogos.

Em agosto de 2003, embarquei com destino a Nice para estar presente no Mónaco, na Gala da UEFA e ver a final da Supertaça Europeia entre o FCPorto de Mourinho e o Milan de Ancelotti.

Viagem normal e sem incidentes. Exceto, após espera de muito tempo na passadeira da bagagem e... não ter mala para levantar, pois, nesse momento, a minha viajava algures para outro destino qualquer. Reclamação no balcão da companhia aérea. Promessa que nesse mesmo dia seria entregue no hotel. Foi mera promessa. Passou um dia e nada de mala.

Com uma reunião de trabalho nessa tarde e a Gala à noite, sem roupa de cerimónia para vestir, tive de tomar a onerosa decisão de abrir os cordões à bolsa e comprar calças, camisa, gravata, botões de punho, boxers e sapatos. Uma pequena fortuna, claro.

A reunião correu bem. A Gala foi agradável. Tive na mesa a companhia dos meus amigos José Guilherme Aguiar e Jorge Mendes. O jogo no dia seguinte não correu bem para os portugueses, pois, no seguimento de um cruzamento de Rui Costa, Shevchenko marcou o único golo do jogo a Vítor Baía.

Tinha ainda mais dois dias para relaxar e aproveitar o bom tempo. A tentação pela praia privativa do hotel e pela piscina era enorme. Mas havia um problema. Não tinha calções de banho e o orçamento já não permitia fazer mais esse custo acessório. A vontade de ir à praia era muita, tanto como o calor. De certeza, toda a gente ligada ao futebol já se tinha ido embora. Tomei uma decisão. Os boxers comprados em solo monegasco eram discretos e passavam bem por calções de banho. E ninguém me conhecia. Vamos a isso! Chegado à praia, pertences nas espreguiçadeiras, direção da água fresquinha e passados cinco segundos ouço uma voz:

– Tás bom amigo? Tudo bem contigo Carraça?

Viro-me para o lado e vejo o simpático e grande atleta Rui Barros com a sua bonita mulher. Tinha sido apanhado em flagrante ‘delito de indumentária’. Troca de cumprimentos, rápidas palavras de ocasião, meia dúzia de mergulhos e fui embora. Para a piscina, que vi estar calma e com pouca gente. Por pouco tempo. Dentro da água, vejo chegar e assentar arraiais mesmo ao meu lado Maldini, Nesta, Seedorf e Shevchenko com as respetivas exuberantes e platinadas mulheres. Todos eles com o ‘dress code’ adequado...

Tal como na vida, não vale a pena tentar esconder o que é óbvio. Ou assumimos sem constrangimentos as nossas decisões ou ficamos sempre em desvantagem e dependentes. A mala, ainda hoje estou à espera que apareça…

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