Citroen Cactus M: o futuro pode ser retro
O ‘concept-car’ tem identidade suficientemente forte para chegar um dia às linhas de montagem...
O salão automóvel de Frankfurt abriu ontem portas ao público e entre as inúmeras estrelas que as marcas automóveis escolheram para o iluminar está o Cactus M. É um ‘concept-car’, como outros que vão surpreender na cidade alemã, mas a Citroën avançou por caminho interessante ao usar referência retro para olhar o futuro.
O Cactus M parte do estudo revelado este ano na China – o Aircross, que elevava, literalmente, o modelo das ‘airbump’ nas portas à condição de crossover –, mas propõe abordagem, digamos, romântica ao escolher a fonte de inspiração. Nada mais nada menos do que o Citroën Mehari, lançado em 1968 e que fez excelente carreira até 1988.
A lógica do construtor francês foi estabelecer imagem de "conforto, bem-estar e lazer", sublinhando depois fatores objetivos. O Cactus M está equipado com o sistema ‘Grip Control’, que permite gerir a motricidade das rodas dianteiras para ajudar nas incursões fora de estrada, merecendo igualmente destaque a solução encontrada para a capota de lona – que pode declinar-se numa… tenda para duas pessoas – ou o sistema basculante que move o banco traseiro prolongando as dimensões da bagageira.
Duas portas
Imaginado e concebido como ‘veículo a céu aberto’, o Cactus M tem apenas duas portas que foram pensadas como os já famosos ‘airbump’. Quer isto dizer que têm uma espécie de segunda pele, capaz de resistir a pequenos choques, aos riscos, mas igualmente à água salgada e à areia. Para que não subsistam dúvidas, a Citroën lembra que o Cactus M não tem tejadilho nem vidros laterais e traseiros.
Neste estudo, a marca francesa do grupo PSA Peugeot/Citroën escolheu motor gasolina PureTech com 110 cv, caixa automática de 6 velocidades e pneus Bridgestone Tall&Narow de 19" – ajudam às características ‘off-road’. O Cactus M mede 4,16 metros, tem 1,77 de largura e 1,48 metros de altura. Do conceito à eventual produção em série vai distância nem sempre cumprida. Mas tal como o Aircross, este estudo da Citroën tem uma identidade que talvez o faça chegar às linhas de montagem.
A inspiração veio dos ‘sixties’
A hipótese do regresso do Mehari foi sugerida a meio deste ano por Linda Jackson, CEO da Citroën, mas nessa altura não havia ainda qualquer indicação quanto ao ‘concept’ que a marca estava a preparar. Agora que o Cactus M é a parte visível do retorno a uma imagem ‘divertida’ do construtor francês, importa lembrar que a inspiração veio do final dos ‘sixties’.
O Mehari, variante ‘off-road’ do Citroën 2 CV, foi lançado em 1968 e esteve em produção durante duas épocas, até 1988. O carro com nome de dromedário foi um sucesso em todo o Mundo, teve direito a utilizações distintas (nem o exército escapou ao apelo), ganhou versão 4x4 (produzida entre 1980 e 1983) e chegou às 150 mil unidades comercializadas.