Teresa Almeida: grande campeã

A bodyboarder portuguesa, que trouxe o ouro do Chile, em 2014, faz desviar os olhares nas praias. E não é só pelo que faz nas ondas...

Teresa Almeida: grande campeã
Teresa Almeida: grande campeã
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Pedimos-lhe um defeito e uma qualidade. Sem hesitar confessa: “Sou uma chata. Por vezes para ter aquilo que quero, acho que me torno um pouco chata. Qualidade? A persistência. Nunca desisto até conseguir o que quero”, avança. Nós por cá achamos que ambas se cruzam e completam. Ambas mostram que Teresa Almeida alcança tudo aquilo a que se propõe. Talvez seja por isso que esta jovem, de 23 anos, tem em casa uma medalha de ouro alcançada no ano passado, no Chile, no Mundial da Associação Internacional de Surf.

Nasceu nas Caldas da Rainha, mas foi em Alcobaça que cresceu. Quer dizer, quem a conhece quase pode dizer que passava mais tempo na água do que em casa. A paixão pelo mar surgiu desde cedo, quer na Arrifana onde passava férias quer na Nazaré onde aprendeu a arte do bodyboard. “Sempre fiz muitos desportos. Natação de competição durante muitos anos, ténis, voleibol”, recorda Teresa, que, apesar disso, é tudo menos uma “maria rapaz”. Por onde passa, faz desviar os olhares masculinos. Embora prefira não falar muito disso, admite – um pouco envergonhada – “claro que os meus amigos às vezes me dizem coisas do género ‘onde vais assim?’ quando uso o fato curto. Às vezes, alguns surfistas que não conheço e que estão na praia mandam bocas. Mas eu nem ligo, sinto-me bem assim, no verão, a surfar com o fato sem pernas. Claro que muitas vezes eu e as minhas amigas lá ouvimos ‘grande rabo!’ [risos], mas eu nem ligo aos piropos.”

Atleta e (quase) modelo

A linha entre ser atleta e modelo, no mundo do surf, é muito ténue. Corpos morenos e bem delineados dão o mote para campanhas publicitárias que acabam por lançar os atletas – neste caso, as meninas – para a ribalta. Casos como o de Alana Blanchard ou Anastasia Ashley – duas surfistas norte-americanas – são tomados como exemplo. Mas Teresa adianta que no bodyboard é um bocado diferente. “No surf, há muitas marcas que vendem a imagem das surfistas. Como essas marcas não apoiam o bodyboard, não aproveitam tanto os atletas como modelos. Não é algo que eu goste muito, ser modelo. Mas claro que é uma boa forma para conseguir vender um pouco a imagem. A Alana não é a melhor surfista do Mundo, mas é das mais conhecidas”, diz Teresa.

Ainda assim, tem um patrocínio que a tem feito apostar na moda. “A Ekena Bay contactou-me. É uma marca portuguesa de fatos de banho. O que tenho de fazer é usar exclusivamente os biquínis deles e fazer publicidade. Tem sido divertido e até gosto de o fazer”, diz.

Para Teresa, a vida é feita de desporto. Até pelo futebol passa. “Sou do Sporting e gosto de ver todos os jogos”, confessa. Pelo caminho ficou o mestrado em Educação Física, na FMH, em Lisboa, depois de ter completado a licenciatura em Ciências do Desporto. O foco está a 100% no bodyboard e na competição. Aliás, este ano vai competir pela primeira vez, integralmente, no circuito mundial. E quem sabe não pode repetir o feito que alcançou no Chile: o 1.º lugar, neste caso, no campeonato individual?

CURIOSIDADES

Uma música?
“I’m still in love with you”, Sean Paul

Um filme?
“O impossível”, de Juan Antonio Bayona

Uma viagem? 
Ao Havai, recentemente, com o namorado e amigos

Uma praia?
Praia do Norte, Nazaré. Gosto de estar em Carcavelos, mas é uma praia muito grande. Na Nazaré sinto aquela união com os amigos.

Onda maior que já apanhou? 
Na praia do Norte. Cerca de três metros ou três metros e meio.

Se não fosse bodyboarder era…
Snowboarder. Se não vivesse na praia, tinha de viver numa montanha para fazer snowboard todos os dias.

O melhor dia da sua vida? 
O dia em que venci a medalha de ouro no Chile. Só de estar com a Seleção já foi um ambiente muito bom. Trazer o título para Portugal, ainda melhor. Estava tudo a correr bem. Quando estás numa final, só pensas em ganhar. Foi um stress gigante. E uma grande emoção. Quando acabou o heat, lembro-me de me levarem em ombros. Foi uma alegria gigante. Eu nem queria acreditar. Acho que só acreditei no dia seguinte quando cantámos o hino. Foi sem dúvida o melhor dia da minha vida.

Melhores bodyboarders nacionais?
Como atleta, diria o Hugo Pinheiro. É um grande exemplo, gere muito bem a sua imagem e trabalha muito bem o bodyboard. É o atleta mais completo. Como competidor e free surf, diria o Manuel Centeno. É o melhor, tem mais raça. É o competidor que mais admiro e tento seguir.

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