As dunas vermelhas

Nota Prévia: Por razões pessoais, não foi possível dar continuidade imediata à história da nossa viagem como pretendíamos. Mas estamos de regresso…

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Nota Prévia: Por razões pessoais, não foi possível dar continuidade imediata à história da nossa viagem como pretendíamos. Mas estamos de regresso…

Conheça os encantos da Namíbia

E como poderão constatar, lendo o texto anterior, tínhamos andado uma manhã inteira a passear pelas ruas de Swakopmund e estávamos perto de saltar por cima do Trópico de Capricórnio. Aprestávamo-nos para deixar a costa atlântica e entrar mais no interior do deserto do Namibe e nas suas impressionantes dunas.

Chegámos a Walvis Bay, local onde Bartolomeu Dias arribou em 1487, com uma ideia fixa (nós.., não o navegador): comprar peixe fresco. Tinham-nos dito que ali, sim, poderíamos encontrar peixe, pois para além de ser um dos portos principais da Namíbia a indústria pesqueira está em franco crescimento. Bem procurámos, mas apenas se encontrou peixe congelado, que ali chega já assim, proveniente dos barcos fábrica que ali aportam. Fresco…nem o tempo, que os termómetros chegaram a marcar 40 graus Celsius.

A cidade mostrou-se desinteressante e o vento que soprava do Atlântico era muito desagradável. Foi simples, por consequência, seguir viagem. Passámos a correr pelo Dorob National Park (parque criado sobretudo para limitar o aumento desenfreado de veículos todo-o-terreno cujos condutores ali buscavam simplesmente divertimento sem se preocuparem com o meio ambiente) e seguimos por um belo estradão até Gobabeb e… Olha! Sem nos darmos conta tínhamos cruzado o trópico pela primeira vez e nem uma paragem para a tradicional foto fizéramos. Havíamos de a fazer mais tarde…

Optámos pela D1983, um estradão que nos levaria até ao Kuyseb Canyon, em vez de seguirmos pela «principal» M36. Em Gobabeb não visitámos o Training and Research Center, um centro de pesquisa (clima, ecologia e geomorfologia e de estudo de temas como a desertificação, a procura de água ou a adaptação ao deserto de plantas e animais), localizado no ponto onde se encontram três diferentes ecossistemas: O rio Kuiseb, o mar de dunas, a Sul, e a zona pedregosa, a Norte.

Perto de Mirabib voltámos a encontrar o Trópico de Capricórnio e desta vez deu direito a foto e tudo. Eram 15:46 h do dia 17 de Janeiro. A estrada revelou-se magnífica, com subidas e descidas impressionantes, algumas das quais feitas em primeira por via das dúvidas. Rodávamos entre os 900 e os mil metros de altitude e a paisagem deslumbrante obrigava a uma condução vagarosa. O olhar perdia-se na magnificência do terreno… Kuyseb Pass foi um local que ficou gravado.

UM «MUSEU» DE AUTOMÓVEIS

Cruzámos o Guab Pass por uma estrada estreita e ladeada de rochas aguçadas – onde há muitos acidentes pois quem vem do deserto está ainda com o pé «pesado» e aqui há que o aliviar - e apanhámos então a C14, outra estrada «principal». Esclareço: quando me refiro a «principais» não quero com isto dizer que as estradas são alcatroadas, nada disso – terra batida, mas com bom piso. Seguíamos para Solitaire, um destino que o Zé Amaro recomendara e que valeu a pena visitar.

Mas afinal, o que é Solitaire? É um local onde existe a única bomba de combustível entre Sossusvlei e Walvis Bay, algo fundamental para quem vai ou vem do Namib-Naukluft National Park. Ali existe ainda um posto de correios, uma padaria, um café/restaurante e um pequeno comércio que vende de (quase) tudo. Há também um camping, onde até acabaríamos por passar a noite.

Mas além de tudo isto, Solitaire é também um «museu» de velhíssimos automóveis e as «carcaças» que ali se encontram deram origem a muitas «selfies». Enfim, um ponto de passagem inevitável até porque no bar a cerveja está geladinha.

BIG DADDY DUNE

Manhã cedo, como habitualmente, prosseguimos para Sul, a caminho da Namibrand Nature Reserve e das grandes dunas. Sesriem, uma pequena localidade, é a porta de entrada para esta reserva natural, provavelmente a maior de todo o sul de África. A sua origem data de 1984 e integra 15 quintas de criação de ovelhas, uma forma de ajudar á conservação da natureza, em especial da vida selvagem que vive nesta zona do deserto do Namibe.

Entrámos então no Namib-Naukluft. Infelizmente, a circulação pela maior parte desta zona está vedada a privados ou obriga a autorizações especiais, mas é possível ir até Sossusvlei – curiosamente por uma estrada alcatroada - e passar rentinho às grandes dunas vermelhas e andar pelo Deadvlei Valley, onde corremos sérios riscos de ficar atascados. No meu caso, corri também o sério risco de levar uma cornada de um órix que não gostou muito que me aproximasse dele em demasia…

Voltando às dunas, para quem conhece as de Marrocos e mesmo as da Mauritânia, há que sublinhar que essas são pequenininhas comparadas com estas. Algumas são «transitáveis», isto é, quem tiver máquina e sobretudo aquela peça fundamental que se encontra atrás do volante e a que muitos chamam «unhas» pode perfeitamente subir até ao pico e…descer. Nas dunas 17, 45 (a mais fotografada em todo o Mundo) ou na Big Daddy as marcas dos rodados dos 4x4 ou as pegadas dos «trepadores» são bem visíveis. Ficámos com água na boca, mas, com as nossas máquinas, tentar uma subida era impraticável. E a pé…era cansativo. Ficámos, pois, a olhá-las cá de baixo.

Mas percorremos o Deadvlei, uma pista de areia tão fina que nos obrigou a baixar a pressão dos pneus para os 0.7 bares e mesmo assim, em algumas zonas, só com as redutoras e pé na tábua foi possível passar. A carga que os Toyotas levavam era demasiado pesada e os «cavalos» sofriam com isso…

O negro das árvores mortas, com idades estimadas em 900 anos!, fazem um contraste enorme com a brancura e o brilho da areia do chão e o vermelho das areias das dunas. É um paraíso para os amadores de fotografia. E não só… Para quem conduz, é uma sensação indescritível.

Foi por conseguinte um dia inesquecível e à noite, num também inolvidável parque de campismo situado perto das montanhas de Tiras, as conversas obrigatoriamente giraram à volta dele. Recordar é viver – diz o povo, e tem razão.

UM CAMPING INIGUALÁVEL

Mas antes de chegarmos ao Tiras Guest Farm tivemos a primeira desilusão de toda a viagem e uma recepção lamentável. O dia estava a findar e tínhamos como meta chegar a Helmeringhausen, uma quinta privada fundada por um membro da antiga Schutztruppe, o exército colonial do Império Germânico. A quinta dispunha de alguns quartos, de um parque de campismo e de um restaurante – era pois o local indicado para ali pernoitarmos.

Mas não foi! A dona – ao que pareceu – olhou para nós, de cima a baixo e provavelmente pensou que éramos extra-terrestres pelo que respondeu não ter vagas no campismo nem quartos disponíveis. E nem mesmo o facto de apenas necessitarmos de espaço para os jipes (pois tínhamos tendas de tejadilho) alterou a sua posição. Estavam cheios. Estranhámos, pois àquela hora, no mínimo, deveria haver alguma movimentação, o que não se verificava. Enfim, aqui fica a nota: Helmeringhausen só para germanófilos!!!

Mas como há males que vêm por bem, fomos parar à Tiras Guest Farm, onde uma senhora já de idade avançada, viúva, nos recebeu com uma cordialidade e uma disponibilidade fantásticas, apesar de se encontrar sozinha em casa. Não era alemã! Era namibiana.

Deu-nos a chave do portão que dava acesso á quinta e, meus senhores, fomos ficar a um dos parques de campismo mais bonitos de todos quantos vimos. No alto de um monte, com uma panorâmica fantástica e condições excelentes.

Mais, no dia seguinte propôs-nos uma volta pela sua quinta, deu-nos a chave dos portões, um dossier com o percurso e fotos com explicações sobre aquilo que iríamos encontrar. E encontrámos, por exemplo, junto a um rochedo, a campa onde jaz o seu marido. Espantoso!

Voltámos a casa da senhora, cujo nome lamentavelmente esqueci, entregámos a chave, agradecemos e metemo-nos a caminho. Cape Diaz – como eles escrevem – seria a nossa próxima etapa.

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