_

Fábio Paim: Faz o que eu digo... não faças o que eu fiz

• Foto: Ricardo Jr

Chove a potes e os miúdos acumulam-se num varandim à espera de um ídolo que só conhecem do... YouTube! "Como é que é? A escola está a correr bem?", pergunta Fábio Paim, com brilho nos olhos e sorriso rasgado. O dilúvio que escurece os céus de Coimbrões (ainda) não o assusta. "Trouxeste a chuva de Lisboa!", acusam, entre gargalhadas. Record não toma partido, mas sempre lhe diz que a tarde estava soalheira antes de o craque chegar...

A enésima vida de Fábio Paim passa pelo Parque Silva Matos, em Coimbrões. É na casa do Sporting Clube local que dá vida ao projeto que acaba de batizar, a convite de Bruno Neiva e José Oliveira. "Eles são a minha nova família", agradece, fazendo questão de incluir cada um dos dez treinadores que emprestam conhecimento especializado a um programa de treino técnico vocacionado para crianças e jovens dos 6 aos 18 anos.

PUB

Mal esconde a excitação. Está tão ansioso como um craque no túnel de acesso ao relvado da final da Liga dos Campeões. Esta é a Champions de Fábio Paim, feliz da vida no meio dos seus. Entra em campo perfeitamente integrado entre a miudagem e é o primeiro a chegar à bola. Três remates à baliza, três golos. Nem a bátega que lhe cai em cima lhe rouba a alegria.

Enquanto os treinadores acertam estratégias nas treze estações preparadas para afinar a técnica dos aprendizes, Paim coordena o aquecimento das três centenas que ali estão para aprender com ele. "Sprint! ‘Bora’ lá", grita, de sorriso estampado. "Míster! Está tudo pronto!", berra, depois, como quem diz que chega de corrida. Está na hora de tocar na ‘chicha’ e ser feliz. "Eles estão sempre a chatear-me para lhes ensinar as fintas... Só que eu faço e eles não conseguem imitar-me! São coisas básicas... parece difícil, mas com os treinos vão lá. Eu era diferente, era terrível aos 6 anos. Ainda hoje não sei como conseguia fazer aqueles truques todos! Hoje não os faço, a bola foge!", dispara.

PUB

Ensina a receber a bola, a controlar e a decidir, a rematar e a driblar. Mais tarde confessa que ainda anda meio perdido, que é mais de fazer que de ensinar. A chuva que ele próprio trouxera de Lisboa é tal que há miúdos na iminência de congelar. Estão encharcados da cabeça aos pés, mas nenhum mostra vontade de parar. "Tem de ser", lamenta Paim. Os coordenadores dão ordem de suspensão ao treino. Recolhem aos balneários para um intervalo forçado, mas depressa se apercebem que São Pedro não está para isto...

"Os miúdos estão a tremer de frio! Não vale a pena continuar, se for para ficarem doentes e faltarem à escola", adverte Paim, num tom surpreendentemente responsável. "Não treinamos mais", decide ele próprio. "É para o bem dos meninos!", reforça.

Se os minicraques ficam desiludidos com a paragem, os pais agradecem a atenção e o carinho. Fica por ali o treino, mas não o ‘Projeto Fábio Paim’. Esse continuará pelo país fora, prometendo galgar fronteiras com a ajuda de parceiros angolanos, chineses e luxemburgueses.

PUB

"Não sou a melhor pessoa para dar conselhos a estes meninos todos, mas não quero que lhes aconteça o mesmo que a mim", conclui. Eis Fábio Paim, na melhor finta da sua carreira.

Por António Adão Farias
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Especial Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB