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Anos 70: Os «craques» de Assis Pacheco

OS ÊXITOS da década de 60 tornaram o futebol num produto de multidões. O jornal procurou aprimorar a forma de o tratar, mesmo quando o comportamento das equipas portuguesas no plano internacional era, por norma, decepcionante. Assim, a década de 70 mostra, no plano informativo, alterações radicais. Numa página de balanço da jornada do Campeonato Nacional da I Divisão já era possível encontrar em Record muitas das informações que ainda hoje fazem parte deste género de balanços: A Equipa da Semana; os melhores marcadores; a classificação individual dos jogadores, aos quais já eram atribuídos pontos pelo desempenho nos jogos; e a sua classificação por lugares!

Esta preocupação não é alheia às tentativas de alterar a mancha gráfica do jornal, dando um aspecto mais leve às páginas, onde a cor já entrou: o preto e o vermelho na primeira, o azul ou o verde nas centrais. Na ficha técnica já consta o nome de um gráfico, José Salomão, o mesmo que desenha, em primeiras páginas, não só alguns títulos mas também o rosto de atletas, como acontece em 4 de Maio de 1976, quando apresenta Carlos Lopes no seu traço característico.

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Aliás, intitula-se "Renovação e Valorização" o editorial de Artur Agostinho na edição de 18 de Abril de 1972, quando se apresenta o novo grafismo do jornal, acompanhado de um "Suplemento Especial" sob o orientação do novo subdirector, Mário Zambujal. São páginas que pretendem tratar o desporto de uma forma mais leve, nas quais se destacarão as muito saborosas crónicas de Fernando Assis Pacheco na sua rubrica "Memórias de um 'craque'". É também o tempo de "Cavaqueando", de Garcia Alvarez, de "Lembra-se disto? -- A semana desportiva de há 20 anos", e de "Grandes figuras do nacional", breve biografia na página de estatísticas do campeonato de futebol. Continuam os concursos -- o jornal vai receber 70 mil colecções de "Jogadores do outro mundo" -- e em 1973 é instaurado o Troféu Record para o melhor marcador das três divisões nacionais.

AGITADA MAIORIDADE EM ABRIL

"Atingimos a maioridade!", diz-se no editorial de 28 de Novembro de 1970. Record entra no seu 21º ano de vida com um balanço e uma perspectiva optimista: "Ultrapassada que foi uma 'infância', naturalmente titubeante mas, apesar de tudo, extremamente saudável (e só assim se explica que tenha conseguido vencer todas as dificuldades surgidas), Record viveu o seu período de 'adolescência', ao longo do qual firmou uma posição de destaque no meio em que nasceu e tem vivido -- a imprensa desportiva".

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Mal se sabe, então, o quanto serão conturbados os próximos tempos. A 18 de Abril de 1972 concretiza-se a passagem a trissemanário (a quinta-feira é o novo dia), mas com o 25 de Abril entra-se numa nova e decisiva fase. O ambiente que se vive em todo o país transmite-se ao próprio jornal. "Uma nova era!", saúda o Editorial de 30 de Abril de 1974, apelando depois ao fim da discriminação entre "jornalistas" e "jornalistas desportivos". Em Maio, a redacção reúne-se, subscreve um voto de confiança ao director Artur Agostinho e elege o Conselho de Redacção (Humberto Vasconcelos, Francisco Sena Santos e José Leite Pereira). Mas, em Outubro desse ano, Artur Agostinho é afastado do seu cargo e substituído pelo director interino Rodrigo Pinto. Pouco antes, a edição de 28 de Setembro fora proibida de sair para as bancas pelo Ministério da Comunicação Social.

Tantas movimentações chegaram ao próprio logótipo. À passagem do 25º aniversário (29-11-74), o desenho de Meco é substituído por caracteres maiores e mais austeros. A composição do jornal passa a ser feita em "off-set" e é introduzido um segundo caderno, de 16 páginas. Em Janeiro de 1975, é recebida com entusiasmo a decisão do Ministério do Trabalho em equiparar, finalmente, os jornalistas desportivos aos outros jornalistas, e em Fevereiro a vida do jornal é alvo de um documentário filmado pelas Produções Francisco de Castro, com texto e locução de Júlio Isidro.

Mas não se vivem tempos fáceis: o elevado passivo põe em causa a sobrevivência de Record. Os trabalhadores exigem a integração na Sociedade Industrial de Imprensa e na sequência é eleita uma Comissão de Trabalhadores. Em 18 de Setembro de 1975 há nova troca de director: Monteiro Poças substitui Rodrigo Pinto. Volta-se ao logótipo anterior e mudam os dias de saída: em vez das quartas e sábados, Record passa a sair às sextas e domingos (no primeiro dia de saída, 4 de Janeiro de 1976, uma greve dos ardinas leva que o jornal, nalguns casos, tenha chegado aos estádios nas viaturas particulares dos jornalistas e motoristas do "DP"), mantendo-se a edição de segunda-feira.

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