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Anos 90: Publicações especiais, estatísticas, Provedor

O JORNALISMO desportivo, em Portugal, entrou na era das publicações especiais. Suplementos, revistas, talvez livros. E Record assumiu-se, então, como pioneiro. Para além de ter implantado o Suplemento de Aniversário, todos os anos, em finais de Novembro, o jornal avançou, a partir do Verão de 1991, com a publicação de revistas, duas delas com periodicidade fixa: no final do campeonato, o Balanço da Época, e antes do início do novo campeonato, a Apresentação da Época. Volumes a cores e com todas as informações sobre as equipas e jogadores participantes. Passaram também a ser publicadas, com alguma regularidade, revistas sobre a participação das equipas portuguesas nas provas da UEFA, a selecção nacional e a história do Campeonato Nacional da I Divisão e da Taça de Portugal.

Em 1992, numa aposta decidida nas edições dominicais, surge o Record/Domingo, um suplemento semanal que procura tratar o desporto sobre outros pontos de vista, numa nova linguagem, com uma face de magazine e outra de semanário. Outra grande novidade na edição de domingo foi o Provedor dos Leitores, uma figura até à altura inexistente em toda a Imprensa portuguesa. David Borges é o primeiro Provedor dos Leitores, apresentando-se na edição de 30 de Agosto de 1992. A figura do Provedor dos Leitores institucionalizou-se e actualmente existe em vários jornais do País.

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Em Outubro de 1993, Record mantém o seu pioneirismo, agora no campo do tratamento estatístico, algo até então quase inexistente nos jornais desportivos portugueses. Na edição de 1 de Outubro surgem três páginas “diferentes”: apresentando o Mundial de hóquei em patins, tinham um tratamento, gráfico e estatístico, que as distinguiam do corpo do jornal. Chamavam-se então "Actualidade", mas depressa vão institucionalizar-se sob a designação de "Dossier"; é um espaço para a inovação gráfica e para a investigação; em breve, a infografia vai acentuar a caracterização do "Dossier".

Mas há mais: esta é também a década em que surge o suplemento “Motores” (às quintas-feiras), rubricas como "Futebol Futebol", "Miradouro dos Inglesinhos", "A Voz das Claques", "Ficção ou Talvez Não", "Contraponto", "Os Casos do Jogo", "Bolsa de Transferências", "Quadro de Honra", "América", "Crónicas do Mundo", os cartoons de Carlos Laranjeira e o primeiro tratamento regular, na Imprensa desportiva, dos Jogos de Computador. E é a década em que Record perde António Capela, figura incontornável do jornalismo português.

MEIO MILHÃO DE LEITORES

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À passagem do número 5000, em 1991, Record conta com uma mensagem do Presidente da República, Mário Soares. O jornal é, então, um produto firmemente instalado no mercado. Em Agosto de 1991 aposta na quarta edição, passando também a sair para as bancas à segunda-feira. Em Agosto do ano seguinte, há mais novidades: o jornal adapta o seu formato de acordo com o padrão universal do tablóide, tornando-se mais pequeno.

Nesta altura, a liderança do mercado disputava-se ombro a ombro com "A Bola", e adivinhava-se a aposta na edição diária. Em 2 de Fevereiro de 1995, Record passa a pentassemanário, juntando a quinta-feira aos seus dias de publicação. O "Dia D" é 1 de Março, uma quarta-feira, e a manchete parece, curiosamente, propositada: "Suspense". Embora se refira, simplesmente, a uma dúvida na equipa do Benfica... Com “suspense” ou sem ele, a passagem a diário é um sucesso, como o demonstram os números no final do ano: uma média mensal de 138 mil jornais e uma audiência acima dos 500 000 leitores.

É também em 1995 que o jornal adquire os direitos de exploração do concurso "Liga Fantástica", um jogo aliciante que leva à inscrição de mais de cem mil equipas. Um ano depois da “aventura” como diário, o balanço era muito positivo: o Bareme da Marktest dava nota de uma subida de 7 por cento de audiência em 1995, traduzido numa audiência acima dos 500 mil leitores por dia.

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Em Janeiro de 1999, com a entrada de uma nova Direcção, Record surge com um grafismo e uma estrutura renovada. Pensando sempre no futuro, já se anuncia então a edição On-line (entretanto posta em andamento com um sucesso indiscutível), o Livro de Estilo e o livro sobre 50 anos do desporto português.

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