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FERNANDO Ferreira foi o primeiro director de Record. Como ele diz, "fui empurrado para ser o director", talvez por ser na altura o mais mediático, face à sua ligação com o futebol, o atletismo e com os recordes. De facto, Fernando Ferreira tinha já uma vida ligada ao desporto, como professor de Educação Física, docente no Colégio Militar, preparador físico de futebol e treinador de atletismo.
O relacionamento com Manuel Dias e Monteiro Poças tinha como elo não só o desporto como ainda o jornalismo (chegaram a ser todos colaboradores de "A Bola") e a simpatia -- ou melhor, mais do que isso... -- pelo Benfica. Formavam, com outros amigos e conhecidos, uma tertúlia apaixonada, que se reunia quase diariamente na Baixa.
Fernando Ferreira foi director desde a fundação do jornal, 26 de Novembro de 1949, até 31/5/63. "Ainda hoje podia ser o director", graceja ele. É o único dos fundadores de Record ainda vivo. A ele sucedeu Artur Agostinho (1/6/63 a 30/9/74), e depois Rodrigo Pinto (1/10/74 a 16/9/75), Monteiro Poças (17/9/75 a 27/3/86) e por fim Rui Cartaxana, até João Marcelino.
Devido ao tempo que o jornal (e também o Benfica) o absorvia, Fernando Ferreira saiu do Colégio Militar. Durante muitos e bons anos dedicou-se ao Record e passou a fase da implantação da então nova publicação com nota alta. Face às vicissitudes de quem se lançava em tão arriscada aventura, esteve, tal como os seus companheiros do jornal, algum tempo sem receber qualquer tipo de vencimento.
A saída do cargo e de Record deveu-se a uma zanga com Monteiro Poças. "Diferença de feitios", justifica, acrescentando, porém, que nada de mais grave se passou. Na altura, o "Diário Popular" comprara já 51 por cento da sociedade. É de lembrar, a propósito, a altura em que Record esteve suspenso, de 25/11/75 a 12/12/75, bem como a Assembleia Geral de Trabalhadores realizada precisamente nas instalações do "Diário Popular", que decidiu, por maioria, continuar com a publicação do jornal.
Ainda hoje, Fernando Ferreira realça a "política do tostão" de Monteiro Poças como factor fundamental para a sobrevivência de Record. E recorda o desafio que foi lançar um jornal novo desportivo quando já existiam duas outras publicações. Mas, para além do entusiasmo e dedicação dos fundadores e seus acólitos, ficou sempre no ar, junto dos leitores que se conquistavam dia após dia, a imagem de algo diferente, de atractivo, que fazia de Record um produto aliciante e que levou a aumentar a periodicidade semanal.
A dedicação das pessoas, ainda segundo Fernando Ferreira, será uma das principais razões que levou o jornal a sobreviver, ao mesmo tempo que muitas e muitas publicações de carácter desportivo falhavam e desapareciam de circulação.