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FALECEU há pouco mais de nove anos um dos nomes históricos de Record: José Monteiro Poças. Director do jornal de 17/9/75 a 23/3/86, fundador com Manuel Dias e Fernando Ferreira, o homem que foi um verdadeiro "eremita do jornalismo" viveu grande parte da sua vida com uma paixão sem paralelo pelo projecto que abraçou em 1949.
Veio para Lisboa ainda novo, para estudar, vivendo então em quartos alugados. A família, de comerciantes, continuou em Leiria, nunca deixando de o auxiliar com mesadas que lhe permitiam o sustento.
Os estudos, esses, haveriam de ficar para trás. Monteiro Poças tinha já o gosto pelos jornais e pelo desporto e não tardou que começasse uma carreira de colaborador no jornal "A Bola". Adepto do Benfica, convivia diariamente com dirigentes e amigos, unidos pelo mesmo prazer de discutir e dissecar os problemas do desporto. Encontravam-se no Café Restauração, no Rossio, onde a tertúlia se reunia.
Vários trabalhadores actuais de Record conviveram com Monteiro Poças e é através deles, bem como de outros documentos alusivos à sua personalidade, que fazemos estas linhas. Com disponibilidade total, chegava ao jornal pelas três da tarde e nele permanecia até de madrugada, apenas saindo para jantar e beber uma bica, sempre na zona do Bairro Alto e Rossio e sempre acompanhado de amigos.
Habituou-se a trocar as horas do dia pelas da noite. Fora do jornal apenas comia e dormia. De resto, vivia em exclusivo para o Record. O jornalismo era, neste particular, a sua primeira casa. Durante 41 anos esteve "casado" com o nosso jornal com uma persistência, dedicação e amor difíceis de calcular.
A sua acção estendia-se a problemas administrativos e ficou célebre a sua "política do tostão". Ou seja, preocupava-se com o dia de amanhã e com a sobrevivência do projecto, de tal modo que a palavra poupar fazia constantemente parte do seu vocabulário diário. Mas foi graças a esta política que o jornal sobreviveu e ultrapassou momentos de grave crise.
Monteiro Poças não era um grande conversador mas sabia ouvir. E de que maneira! Aproveitava as ideias válidas e aplicava-as com mestria no Record.
Fez muito e muito pelo jornal e a ele se deve, por exemplo, o maior destaque dado às modalidades ditas amadoras a partir de certa altura. Bem como, caso curioso, a tradição de passar a anunciar as "equipas prováveis" dos jogos de futebol.
Faleceu com 73 anos e dias antes teve uma frase significativa: "Levo no coração os amigos e os que comigo colaboraram no Record, fazendo o que ele hoje é!"
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