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A Opinião na Imprensa portuguesa especializada em desporto foi durante muito tempo um tema ausente, embora a grande maioria dos textos, mesmo os teoricamente de “notícia”, fosse pontuada por salpicos de subjectividade e passagens editoriais. O Record não foi excepção.
Os textos assinados como sendo de opinião reflectiam experiências pessoais e, em grande parte das situações, reportavam episódios pitorescos e insólitos, associados facilmente ao género “crónica de viagem”. Este era, normalmente, o caso da “Tribuna do Repórter” publicada pelo Record.
Entre a publicação de “Tentativa de Record”, a 26 de Novembro de 1949, data do nascimento do jornal, uma declaração de intenções da Direcção, que funcionou numa base de Estatuto Editorial, e o primeiro editorial passaram quase 35 anos, o que atesta da pouca vocação da chamada imprensa desportiva para tornar públicas opiniões individuais ou opiniões que vincassem a linha editorial dos jornais.
A segunda metade da década de oitenta tornou-se o período de afirmação de Record na área da Opinião, com a publicação sistemática de editoriais (sempre assinados pelo director de então, Rui Cartaxana) e a criação de colunas de opinião regulares assinadas por jornalistas vinculados ao jornal, como foi o caso de “Revendo a Semana”, de João Marcelino.
O pioneirismo do jornal manteve-se e mais vincado ficou com a abertura das suas páginas a comentaristas convidados. O reforço do grupo inicial, composto por Silva Resende, Joaquim Campos, João Aranha e David Borges, levou, posteriormente, à abertura de um núcleo oficial de colunistas, base do actual Conselho Editorial de Record -- mais um passo inédito na imprensa desportiva portuguesa.
O passo seguinte foi a criação do Provedor dos Leitores, esta uma iniciativa pioneira em toda a Imprensa portuguesa de expansão nacional, função garantida por David Borges, que teve em Francisco Sobral e Silva Resende os seus sucessores.
Posteriormente, a última página do jornal tornou-se um espaço personalizado de reflexão, mais ou menos temático, assegurado por jornalistas pertencentes aos quadros do jornal ou que com ele colaboram há já muitos anos.
Com a mudança da estrutura directiva de Record, no início deste ano, os editoriais deixaram de ser assinados, as páginas de opinião passaram a ter presença efectiva no corpo do jornal, independentemente da importância e da força da actualidade, e a Editoria de Opinião/Media entrou em actividade efectiva durante o mês de Julho.
ANTÓNIO VARELA