_

Helena Carvalho: «Não páro um único dia por mês»

• Foto: DR

Record - Triatlo soa como ‘trabalho’... a triplicar. Como é ser triatleta?

Helena Carvalho  - Acho que gostamos de sofrer [risos], porque treinamos mesmo muito. Eu treino três ou quatro vezes por dia, depois, claro, há semanas em que tenho de abrandar por causa da faculdade. Ainda há duas semanas tive aulas das 9 às 18 horas e, quando é assim, tudo o que consigo fazer é nadar antes e pedalar ou correr a seguir. Portanto, não paro um único dia por mês. Tive descanso na segunda-feira porque viajei, mas já nem me lembro do último dia, sem ser esse, que estive sem treinar. Sofremos muito. Ser triatleta é muito dinâmico, mas muito duro.

PUB

R - Das três modalidades do triatlo - a natação, o ciclismo e o corrida - em qual reconhece mais fragilidades?

HC - A minha maior dificuldade é a corrida. Venho da natação e demorei algum tempo a perceber como se treina, e por isso tive várias lesões na corrida quando comecei. Havia evolução mas tinha de parar constantemente devido a lesões. E agora estou finalmente a conseguir fazer um trabalho mais consistente e, com isso, estou melhor na corrida, ainda que se note que é o meu segmento mais fraco.

R - Como é ser triatleta em Portugal? Sente que há o devido reconhecimento?

PUB

HC - Tanto encontro pessoas que sabem perfeitamente o que é esta modalidade - e que conhecem nomes como a Vanessa Fernandes, que foi sem dúvida a maior impulsionadora da modalidade em Portugal -, como ainda há uma semana me perguntaram o que é isto do triatlo. Acho que as pessoas ainda não percebem muito bem... E também noto isso na faculdade, porque não há a cultura desportiva que há noutros países. Às vezes demoram a perceber que não quero facilitismos, só quero uma oportunidade de fazer as coisas. Mas também fui notando alguma evolução.

R - O facto de ser um desporto relativamente novo ajuda a explicar a falta de conhecimento das pessoas?

HC - Não sei bem… talvez só esteja mais por dentro do assunto quem está próximo de alguém que pratique.

PUB

R - Recuemos: como foi no seu caso? Alguém próximo lhe ‘impingiu’ este gosto?

HC - É irónico porque os meus pais foram nadadores, e acham muito mais graça à natação do que ao triatlo. Mas também é curioso porque conheci a modalidade pelo meu pai, que ganhou o primeiro triatlo que se fez em Portugal. E foi por aí. Houve um dia em que houve uma prova de nado seguido de uma ‘corridinha’. Adorei e convidaram-me logo, na altura para o clube de triatlo de Almada. Fiz um ano com algumas provas, entre crianças, mas depois acabei por me dedicar apenas à natação. Mas ficou-me sempre na cabeça... ‘quando é que vou voltar ao triatlo?’

R - O que é que a fez voltar?

PUB

HC - Fiquei sempre com isso na cabeça e não deixei de fazer umas corridas e de pedalar sozinha. Até que o selecionador me deu o ‘toque’: ‘Se não começares a treinar triatlo nunca mais vens à Seleção’, disse ele. Acabou por me ajudar e dar o empurrão de que precisava.

R - E agora o triatlo até já a leva ao Japão, a disputar uma das etapas do campeonato do Mundo. Como estão a correr as coisas por aí?

HC - Está a ser muito estranho. Já tivemos provas com máscaras e afins, mas esta é aquela em que estamos a sentir mais estranheza. Não temos autorização para sair do quarto; vêm-nos buscar com horários muito restritos e curtos para irmos treinar; a comida é-nos entregue à porta... Nem sequer vamos ter oportunidade de ver o percurso de ciclismo da prova, que é algo que faz bastante diferença.

PUB

R - O triatlo já a levou a muitos lugares, e a muitas histórias para contar, certamente...

HC -Já me aconteceram tantas coisas parvas. Quando era pequena, e quando ainda não fazia triatlo e era só nadar e correr, aconteceu-me calçar os ténis antes de tirar o fato isotérmico. Tive de voltar para trás, não sabia bem o que estava a fazer.

E mais... vejo muito mal e sou um pouco distraída. Uma vez fui dar a outra praia e toda a gente achava que eu estava à frente, porque é o meu segmento mais forte, e estavam à espera que eu saísse da água. Havia muita ondulação e não vejo bem, então perdi completamente a orientação. Na última prova que fiz em Portugal, também me aconteceu uma engraçada. Pus água a mais nos óculos e a minha lente de contacto estava quase a sair... é mais uma aprendizagem, e não me vai sair da cabeça tão cedo.

PUB

R - Recorda esses momentos entre risos. Mas, quando acontecem, é stressante, não?

HC - Estou constantemente a dizer isso. O triatlo é muito stressante, estamos a falar de três modalidades, mas muito compensatório.

R - Está agora a sonhar com os Jogos. Mas o que pretende conquistar ainda?

PUB

HC - Sempre sonhei competir assim, ao lado das melhores do Mundo. Tentar ser cada vez mais competitiva com elas e não ser só sofrer. Já consigo. O objetivo é ser o melhor possível em todas as provas, e fazer sempre mais do que já fiz anteriormente. Não sou uma pessoa muito objetiva, mas gosto de sentir que estou em progressão. 

Por Rita Pedroso
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Fazemos campeões Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB