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A primeira palavra da cerimónia fúnebre de Jorge Sampaio, que se realiza este domingo no Mosteiro dos Jerónimos, foi reservada à família. Num adeus emocionado, André e Vera Sampaio, filhos do antigo Presidente da República, lembraram o pai como "um homem bom, atento e disponível". "O nosso pai foi popular sem ser populista. Foi estadista e cidadão comum. Foi amado sem gostar de ser venerado. Foi muitas vezes discreto mas esteve sempre presente. Foi atento, próximo e disponível. Foi lutador e pacificador. Valorizava a convergência mas também os momentos de divergência. Foi um homem justo, corajoso mas sem medo de chorar", lembra André.
Depois da cerimónia arrancar com o discurso de tomada de posse de Jorge Sampaio como Presidente da República em 1996 — "ouvirei os portugueses, ouvirei todos mas os excluídos remetidos tantas vezes ao estatutos de dispensados. Não há portugueses dispensados" —, Vera lembra como "na sua pessoa não havia discordância entre o político e o pai, que desprezava "a arrogância e cultivava a humildade".
Cortejo calorosamente recebido pela população à chegada aos Jerónimos
O cortejo fúnebre do antigo Presidente da República Jorge Sampaio chegou ao Mosteiro dos Jerónimos às 10:35 e foi aplaudido por centenas de pessoas, que permanecem no exterior para assistir ao funeral através de um ecrã gigante.O primeiro-ministro, António Costa, chegou ao Mosteiro dos Jerónimos pelas 10:19, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, dois minutos depois, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, cerca das 10:24.
O cortejo fúnebre de Jorge Sampaio, que tinha saído cerca das 10:00 do antigo picadeiro real, aproximou-se do Mosteiro dos Jerónimos, onde decorre uma cerimónia evocativa, e foi aplaudido por centenas de pessoas.
Rosas brancas adornam a charrete da GNR que transportava a urna, coberta pela bandeira nacional, e puxada por quatro cavalos brancos, num cortejo escoltado pela Guarda de Honra da GNR a cavalo.
Batedores da PSP, a Guarda de Honra da GNR, uma viatura também da GNR transportando as insígnias do antigo chefe de Estado e uma outra viatura transportando a família compuseram o cortejo.
À chegada ao mosteiro, a urna foi retirada por cadetes dos três ramos das Forças Armadas e recebeu novamente aplausos dos populares, desta vez mais longo e intenso.
O antigo chefe de Estado recebeu honras de Estado pelo batalhão com banda e fanfarra da GNR, as três insígnias foram transportadas por três oficiais das Forças Armadas.
A mulher de Jorge Sampaio, Maria José Ritta, e os filhos, André e Vera, juntaram-se ao Presidente da República, presidente do parlamento e primeiro-ministro enquanto o batalhão da GNR tocou a marcha fúnebre.
Iniciada a cerimónia, no exterior, a grande maioria das pessoas que aplaudiu a chegada do cortejo fúnebre aos Jerónimos continuou, apoiada nas barreiras de segurança, em silêncio, a ver a transmissão do funeral no ecrã gigante instalado perto da entrada do mosteiro.
Na cerimónia também estão presentes o rei de Espanha, Filipe VI, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, os antigos Presidentes da República António Ramalho Eanes e Aníbal Cavaco Silva, o vice-Presidente de Angola, Bornito de Sousa, o primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, assim como os líderes dos partidos com representação no parlamento português.
Os antigos primeiros-ministros José Sócrates e Pedro Passos Coelho também estão entre os convidados para a cerimónia fúnebre.
Jorge Sampaio, antigo secretário-geral do PS (1989/1992) e Presidente da República (1996/2006), morreu na sexta-feira aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, Oeiras, onde estava internado desde 27 de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.
O Governo decretou três dias de luto nacional, entre sábado e segunda-feira, pela morte do antigo Presidente da República e cerimónias fúnebres de Estado.
Por Sábado e Lusa