Manter a calma e pensar no futuro. É esta a receita de António Costa, presidente do Conselho Europeu, para lidar com os Estados Unidos de Donald Trump. O antigo primeiro-ministro é um dos convidados da "The Lisbon Conference", que decorre esta segunda-feira em Lisboa e assinala o primeiro aniversário do Canal NOW.
Em conversa com José Manuel Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia e curador da conferência, Costa admite que "vivemos um momento de alguma incerteza e imprevisibilidade" na relação transatlântica, principalmente em matéria de defesa e comércio, mas é importante não esquecer que a relação entre os dois blocos perdura para lá do mandato de um Presidente. "Temos de manter nervos de aço e manter o nosso diálogo com os EUA a um nível institucional. Não podemos estar a responder a cada 'tweet', a cada decisão que é tomada publicamente. Temos de dialogar com os EUA", afirmou.
Pressionado por Durão Barroso a comentar a linguagem agressiva que Donald Trump tem usado com a União Europeia, o homem que ficou conhecido como "otimista irritante", relativiza: "Como temos visto ao longo destes meses, muitas das decisões tomadas são revertidas ou suspensas ou adiadas nos dias seguintes". "Ouvimos coisas desagradáveis? Sim, mas devemos focar-nos no essencial. E o essencial é que ao longo de 200 anos a América e a Europa desenvolveram uma parceria única. Devemos preservá-la", afirmou.
Mas Costa admite cenários em que seja preciso bater o pé. "Claro que, se formos atacados, se formos objeto de medidas discriminatórias, teremos de responder. E a Comissão [Europeia] está preparada para responder, designadamente em matéria comercial. Mas tudo devemos fazer para evitar uma escalada", defendeu.
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