Endereçando as condolências à família, a direção do ACP presta "a maior homenagem" ao cineasta, considerando que a sua morte "deixa também o automobilismo nacional mais pobre".
"Juntamente com o seu irmão Casimiro, Manoel de Oliveira prestigiou o automobilismo nacional e o ACP, de que era o sócio número nove", refere em comunicado a instituição, que hoje conta com cerca de 252 mil associados.
Muito antes de se ter celebrizado como realizador de cinema, Manoel de Oliveira, por influência do seu irmão mais velho, Casimiro de Oliveira, e de diversos amigos, era já famoso na área do desporto automóvel, tendo dedicado vários anos à competição enquanto piloto.
Antes de abandonar a atividade automobilística, diz-se que a pedido de Maria Isabel Brandão Carvalhais, com quem casou em 1940, Manoel de Oliveira conquistou vários troféus.
Entre as classificações nas diversas competições em que participou constam um 2.º lugar no V Circuito Internacional de Vila Real, em 1936, ao volante de um BMW; um 4.º lugar em Ford V8 Especial no mesmo circuito, no ano seguinte; e uma vitória no Circuito Internacional do Estoril em Ford V8 Especial, também em 1937.
No 'curriculum' de Oliveira destaque ainda para um 3.º lugar no IV Grande Prémio da Cidade do Rio de Janeiro -- Circuito da Gávea, em 1938 e aos comandos de um Ford V8 Special.
Nesse mesmo ano, Manoel de Oliveira faz a ligação entre o mundo automóvel e o do cinema, ao realizar o documentário "Portugal já faz automóveis", onde estava presente Eduardo Ferreirinha, descrito pelo cineasta como "um génio da mecânica".
"Foi ele que construiu os carros onde corri; ao todo, três. Depois, para a família Menéres, representante da Ford no Porto, criou o Edfor: "Ed" de Eduardo, "for" de Ford", explicou Manoel de Oliveira.