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Miguel Alpalhão nunca tinha sentido "particular fascínio pela Medicina", até lhe ser diagnosticada "na adolescência uma doença que até hoje permanece sem nome". Foi essa doença – que desapareceu como tinha aparecido, sem explicação – que o levou a interessar-se pela área "onde todos os doentes são, de alguma forma, um mistério para o qual a Medicina procura respostas". Assim falou em meados de 2016 o jovem então com 24 anos, num depoimento escrito ao Expresso, quando ganhou o prémio Professor Manuel Machado Macedo por se ter formado com a melhor nota do seu ano na Faculdade de Medicina de Lisboa. Alpalhão, hoje com 33 anos, é apelidado de "brilhante" por quem trabalhou com ele – o facto de ter faturado 400 mil euros por dez sábados de trabalho no hospital de Santa Maria, em Lisboa, pô-lo no centro de um escândalo que ilustra a falta de controlo financeiro da produção médica no SNS fora das horas normais de trabalho.
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