A Câmara Municipal do Porto decretou três dias de luto pela morte de Manoel Oliveira. Para Rui Moreira, o cineasta não foi "um homem vulgar", nem "na genialidade, nem na personalidade, nem na longevidade, nem no predicado" que disse mais gostar de associar à cidade do Porto: "o caráter".
"Só com um caráter invulgar é possível olhar o mundo e logo olhar o Porto com os olhos, as lentes e o sentido crítico com que Manoel de Oliveira olhou a vida e tudo o que rodeou", acrescentou o autarca, lembrando a "enorme dose de coragem" do cineasta em todos os "desafios que enfrenou" ao decidir "fazer cinema incómodo".
O presidente da câmara do Porto recordou a "última homenagem pública que lhe foi prestada" no Teatro Municipal Rivoli no dia do seu 106.º aniversário com a exibição do seu último filme e adiantou que o município pretende continuar a homenageá-lo com a reexibição de "muitos dos seus filmes em termos e data que o pelouro da Cultura da câmara oportunamente anunciará".
"Mas tudo o que fizermos para homenagear os seus filmes, a sua genialidade e, sobretudo, o seu exemplo de caráter portuense será pouco, será curto quando comparado com a admirável obra que nos deixou", frisou.
Rui Moreira quis ainda deixar uma "palavra especial de pesar" à família e amigos do cineasta de quem muitos dizem (...) que nunca morre e que a sua vida se prolonga pela sua obra".
"Para uma cidade, perder uma personalidade como a de Oliveira, perder a sua genialidade e caráter é hoje motivo de luto. Mas perder um homem, um amigo e um familiar com a grandeza humana de Oliveira é duplamente doloroso", realçou o munícipe que também se congratulou com o facto de o governo ter decretado dois dias de luto nacional.