Keita Baldé: «Gostava de ir lá bem vestido, com 10 amigos negros e tentar alugar quartos»

Senegalês ajudou trabalhadores temporários em Espanha e história vai ser contada num documentário

Em junho do ano passado Keita Baldé foi notícia pelo gesto de solidariedade que teve com um grupo de 200 trabalhadores temporários africanos que dormiam nas ruas de Barcelona. O internacional senegalês, atualmente ao serviço da Sampdoria, alugou um prédio em Lérida, pagou todas as despesas de alojamento e dias depois enviou roupas para os elementos do grupo.

O processo, que decorreu em plena pandemia, vai agora ser contada pelo próprio Keita Baldé, o ator Paco León e Serigne Mamadou, porta-voz do grupo de trabalhadores africanos, no documentário "Irmãos", que estreia quinta-feira na Movistar. O jogador de 25 anos falou com a imprensa por videoconferência para dar a conhecer o documentário e também abriu o coração para falar sobre as suas raízes, exemplos e histórias de vida.

Keita Baldé define-se como "um rapaz normal" diz estar grato ao futebol por permitir-lhe conhecer diferentes culturas e países. O jogador continua a ajudar os trabalhadores, mas sublinha que não podem ser só as pessoas "famosas em vários sectores" a fazê-lo e pede intervenção das instituições. "Eles ligam-me, agradecem e tentam falar comigo para resolver. Mas sou um rapaz de 25 anos que joga futebol, não entro na política, apesar de contarem comigo", conta.

Apesar de agradecer o apoio de quem o ajudou - como estava no Mónaco, teve o precioso auxílio de Nogay Ndiaye, professor do ensino secundário e ativista anti-racismo em Espanha - a arranjar solução para os trabalhadores, Baldé não esconde os obstáculos encontrados por causa do racismo como os 'não' que recebeu em muitos hotéis. "Gostava eu mesmo de ir lá bem vestido, com mais dez amigos negros e tentar alugar vários quartos", atira. "Aprendi mais com pessoas anónimas do que com pessoas famosas", reconhece ainda Baldé.

O internacional senegalês diz ser "um orgulho" poder ajudar, mas reconhece que "ninguém merece estas dificuldades" e diz que a situação o ajudou a relativizar as coisas no futebol. "Quando vejo alguém triste no balneário, olho para ele e pensamos que lixamos a cabeça por coisas sem sentido. Os verdadeiros problemas são outros", destaca.

Por Record
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