O FUTEBOL Society/7 é uma modalidade praticamente desconhecida dos portugueses. A primeira incursão lusa nesta variante do futebol de sete aconteceu em Junho, num torneio realizado no Brasil, saldando-se em duas vitórias, ante as selecções da Alemanha e França, e três derrotas, frente a Argentina, EUA e Brasil. A moda, contudo, pegou e, em Janeiro, uma equipa portuguesa participará na I Copa Euro-América, a disputar novamente no Brasil. É, aliás, neste país que atingiu grande expressão, nomeadamente no Estado de São Paulo, e onde foi baptizado com o nome de Society. As origens conduzem-nos, no entanto, à Suíça e à Alemanha.
A modalidade nasceu a partir dos torneios realizados entre empresas, grupos de amigos e estudantes. Ou seja, uma interacção social, através da prática desportiva. A exportação para o Brasil aconteceu há cerca de dez anos e chegou, inclusive, com a denominação de Futebol Suíço.
No início, a maioria dos praticantes eram pessoas de idade mais avançada, na casa dos 40 e 50 anos, pessoas que não se adaptavam ao Futebol de Salão e preferiam o Society por ser mais parecido com o Futebol de onze. O facto de diversos craques, que entretanto tinham terminado a carreira profissional, terem aderido ao Futebol Society e o facto de a sua prática se efectuar em campos mais pequenos contribuiu para o seu decisivamente para o seu desenvolvimento.
O Society foi criando as suas bases, sobretudo no Brasil, fundamentalmente nos nomes sonantes do futebol de onze e rapidamente nasceram várias escolinhas, entre as quais a do famoso internacional Rivelino. Actualmente, os Estados Unidos da América e a Alemanha são, a par do Brasil, os países mais adiantados na modalidade.
O Futebol Society em terras brasileiras movimenta, note-se, mais de dois milhões de praticantes, 180 mil dos quais são federados, existindo ainda mais de oito mil equipas em competição. O interesse e o crescimento é crescente, para o qual também muito tem contribuído a Televisão.
Regras em mutação
O Futebol Society/7 tem regras próprias, embora as diferenças com o futebol de sete não sejam tão significativas. A distinção reside, essencialmente, no piso, uma vez que esta modalidade é disputada em relva sintética, no menor tempo de jogo, na possibilidade de se marcar golo num lançamento.
Em suma, as adaptações de normas visam, essencialmente, a necessidade de promover espectáculo, para atrair pessoas e o interesse dos operadores televisivos, garante de financiamentos por excelência.
No entanto, isto traduz-se numa constante mutação das regras, podendo existir diferenças de país para país.
Experiência na praia permite investimento
A MPM, empresa promotora de eventos desportivos em Portugal e implementadora do futebol de praia no nosso país, está, agora, por detrás da aposta no Futebol Society/7.
As razões para este investimento são avançadas por Lobo Pimentel, director desportivo da empresa.
"Esta variante de futebol é bem mais espectacular que o próprio Futsal. É mais rápida, com a probabilidade de haver muitos golos, os quais são a alma do futebol. Para a própria televisão, o Futebol Society é e dá uma imagem fabulosa: o tapete verde, as marcações únicas para a modalidade, sem criarem confusão nos olhos do espectador. E existe a possibilidade de aproveitamento dos craques que deixam o futebol de onze, os quais irão, por certo, fazer as delícias de muitos amantes do desporto-rei."
A inexistência de campos de relva sintética apropriados para a modalidade é o grande obstáculo. Para ultrapassar o problema, a MPM pretende estabelecer um protocolo com a Junta de Freguesia de São Domingos de Rana e com a Câmara de Cascais, por forma a ser criado um espaço no complexo desportivo de Tires, para a prática do Futebol Society.
"Com esta iniciativa pretendemos levar outras autarquias a criarem espaços para a modalidade, patrocinando e levando ex-jogadores a organizarem as suas escolinhas para as crianças dos bairros e escolas da sua área, incentivando, desta forma, o Futebol Society entre a juventude."
Os projectos, porém, não se ficam por aqui. "Estamos a organizar o I Campeonato da Europa, em Abril ou Maio. O local poderá ser o Porto, Algarve ou Rio Maior, com a presença de, pelo menos, seis selecções. Se conseguirmos organizar este evento, e tudo aponta para que seja uma realidade, seremos os pioneiros do Futebol Society/7 na Europa, para provas de competição entre selecções."
Garantida está a organização, em Agosto, na Figueira da Foz, da I Taça Latina, com a presença do Brasil, Uruguai, Espanha e, naturalmente, de Portugal.
Antigos craques aderem
A integração de antigos craques é um dos segredos do êxito do Futebol Society/7, atraindo público aos pavilhões e servindo de incentivo aos jovens. Nomes consagrados como Maradona, o holandês Ruud Gullit, o italiano Altobelli, o francês Didier Six, os espanhóis Michel e Butragueno, ou os brasileiros, Careca, Casagrande e Dunga já experimentaram esta variante de futebol. Recentemente, foi a vez de Denilson, actualmente no Flamengo, aderir, tendo participado em alguns torneios.
No Brasil, refira-se, várias vedetas criaram escolas para a prática do Society/7, casos de Marcelinho Carioca, Edu e Serginho. Em Portugal, os pioneiros são Silvino, João Pinto, Neno, Rui Barros e Rui Esteves, os dois últimos, aliás, fazem parte dos convocados para a I Copa Euro-América, que terá lugar em São Paulo (Brasil). Para além destes, também Mozer e Isaías já representaram as cores nacionais.
Como se joga
1 - GUARDA-REDES: 5 segundos para libertar a bola e só pode dar três passos com ela nas mãos.
2 - Na reposição a bola não pode ser colocada dentro da área adversária, sem antes tocar no solo ou em qualquer outro atleta.
3 - Só pode agarrar a bola num atraso se o mesmo for efectuado com a cabeça.
4 - CARTÃO AMARELO: O atleta só pode reentrar após cumpridos 2 minutos de suspensão e a equipa fica a jogar com menos um elemento. CARTÃO AZUL: O atleta será totalmente excluído do jogo, podendo a equipa substituí-lo após os dois minutos de suspensão, durante os quais a equipa joga com menos um elemento. CARTÃO VERMELHO: O atleta é expulso do jogo e não pode ser substituído. - O jogador que cometer 5 faltas será desqualificado, podendo ser substituído.
5 - Livre directo à oitava falta, da marca de grande penalidade.
6 - Treinadores podem pedir 2 minutos de paragem em cada período de jogo.
7 - Árbitro pode decidir prorrogação do tempo de jogo.
8 - Canto com as mãos e lançamentos com as mãos ou com os pés.