A torcida da Portuguesa é a mais fanática e apaixonada de São Paulo, afirmou hoje à Agência Lusa o responsável pelo controlo das torcidas nos cinco estádios de futebol da maior cidade brasileira.
O major Carlos Botelho Lourenço, comandante do 2.º Batalhão de Choque da Polícia de São Paulo, com 710 polícias, salientou que a torcida lusa tem características próprias, diferentes dos adeptos de outros clubes de futebol.
"É uma torcida com grande relação com a equipa, porque, ao contrário das outras torcidas, a maioria dos seus adeptos também é sócia do próprio clube", disse o comandante.
"Por isso, o calor e a paixão pela equipa são muito grandes, numa torcida formada maioritariamente por portugueses e por seus descendentes brasileiros", salientou.
O comandante revelou que os jogos no estádio da Portuguesa, o Canindé, na zona Leste de São Paulo, requer da Polícia um planeamento especial para evitar confrontos.
"É a única torcida que se movimenta no estádio ao longo da partida de forma a posicionar-se sempre atrás do golo do time adversário, como forma de provocação", afirmou.
Segundo o comandante, especializado em controlo de multidões, as outras torcidas permanecem no mesmo local do estádio do início ao fim das partidas.
"Eles são diferentes, deixam a paixão tomar conta, muitas vezes trocam a personalidade individual pela personalidade de grupo, por isso precisam ser acompanhados", disse.
Actualmente, a Portuguesa está na última posição da tabela da segunda divisão do campeonato brasileiro, e corre o risco de descer para a terceira divisão em 2007.
"A difícil situação do clube também contribuiu para que o torcedor fique ainda mais preocupado, nervoso, proteste mais, à beira de um ataque de nervos", disse.
O presidente da Leões da Fabulosa, a maior torcida organizada da Portuguesa, Marcos Maria, reconheceu que a identificação com o clube é maior do que nas outras equipas.
"É diferente mesmo. Somos filhos de portugueses e por isso temos uma relação muito maior com a equipa", disse o presidente da Leões da Fabulosa, que reúne cerca de 5.000 adeptos.
Marcos Maria realçou que a torcida acompanha a equipa até quando as partidas são realizadas fora do Estado de São Paulo, como forma de "empurrar" a Portuguesa.
Nesta semana, o líder da torcida reuniu-se com o presidente da Portuguesa, Manuel da Lupa, para solicitar esclarecimentos sobre uma recente polémica na imprensa brasileira.
Na semana passada, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma reportagem em que Manuel da Lupa afirmava que, em caso de rebaixamento para a terceira divisão, a Portuguesa iria acabar.
"Durmo todos os dias assombrado pelo rebaixamento. Se a Portuguesa cair para a terceira divisão será o fim", teria dito o presidente, em declarações ao jornal.
Manuel da Lupa, entretanto, negou posteriormente a veracidade da reportagem e avançou que planeia processar judicialmente o diário de São Paulo.
Apesar das dívidas laborais de cerca de 100 milhões de reais (37 milhões de euros), o pagamento dos futebolistas não está atrasado, segundo o presidente.
O custo mensal da equipa, que tem o apoio publicitário do banco Banif, é actualmente de 400 mil reais (148 mil euros), avançou Manuel da Lupa, que assumiu a presidência em Janeiro de 2005 para um mandato até Dezembro de 2007.
A Portuguesa venceu o seu último título de grande relevância em 1973, quando conquistou o campeonato do Estado de São Paulo.
Em 1996, esteve perto de vencer o campeonato brasileiro, mas perdeu a final para o Grémio de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, ao sofrer um golo já no fim do segundo jogo.
Em 2002, a Portuguesa baixou à segunda divisão, onde permanece desde então.
Treinador mantém a intenção de ficar e lutar por títulos.
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