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Duarte Gomes: «No espaço de um ano, a política de comunicação da arbitragem ficou reduzida a zero»

Duarte Gomes
• Foto: Liga Portugal/Arquivo

Duarte Gomes criticou o , assim como dos programas televisivos de análise ao desempenho dos juízes, decisões tomadas pelo Conselho de Arbitragem (CA) da FPF. No entender do antigo Diretor Técnico Nacional (DTN) da arbitragem, a política de comunicação do setor "ficou reduzida a zero" no espaço de um ano, frisando que "o regresso à idade da pedra não é solução".

"Por agora, o balanço é óbvio: pior do que o fim de uma ou duas medidas, é o desaparecimento de todas. Uma das maiores críticas à classe sempre foi a da sua opção pelo silêncio. Os adeptos contestam, os clubes acusam, os comentadores especulam, as redes sociais esmagam, mas os responsáveis nada dizem nem explicam. Resultado? A falta de informação de dentro é preenchida com desinformação de fora. Quando quem decide não fala, alguém o fará no seu lugar. O argumento defendido por quem prefere o retorno aos velhos tempos é óbvio: a exposição excessiva fragiliza e transforma explicações em combustível. Verdade. Tal como é verdade que, por cá, poucos estão preparados para receber informação aberta a este nível. Mas é um erro ceder a esse obstáculo cultural sem repensar estratégia. O regresso à idade da pedra não é solução", afirmou o ex-árbitro numa publicação nas redes sociais.

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Publicação de Duarte Gomes na íntegra:

"No início da época passada, a arbitragem portuguesa abriu as portas ao exterior: primeiro, convocou sociedades desportivas e clubes para ouvirem, juntamente com os árbitros, as recomendações para a nova época. Depois convidou jornalistas, comentadores e especialistas em arbitragem para participarem em sessões de esclarecimento na Cidade do Futebol. Mais tarde, lançou um programa sobre arbitragem no Canal 11 (o "Livre Arbítrio"). A seguir regressou ao "Juízo Final", na Sport TV, que passou a formato quinzenal. Pelo meio confirmou a realização de três conferências de imprensa ao longo da época. E por fim, anunciou que divulgaria as avaliações semanais de árbitros e vídeo-árbitros. A intenção foi clara: mais proximidade e transparência, menos mitos. No fundo, virar a página.

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Hoje nada resta desse caminho.

O programa no Canal 11 foi interrompido por decreto em dezembro, tal como o espaço dos áudios na SportTV. As conferências de imprensa foram canceladas (realizou-se apenas uma de três). E soube-se agora que a publicação das avaliações qualitativas não será retomada. No espaço de um ano, a política de comunicação da arbitragem ficou reduzida a zero. Não é uma opinião nem uma crítica. É um facto.

Naturalmente que nem tudo o que foi feito foi bem feito. Por exemplo, tornar públicas as avaliações dos árbitros foi um processo bem-intencionado, mas com incorreções visíveis: a divulgação acontecia duas semanas após os jogos (com polémicas já sanadas) e a "nota publicada" nem sempre correspondia à atribuída pelo observador. Isso gerou natural desconforto no grupo.

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Por agora, o balanço é óbvio: pior do que o fim de uma ou duas medidas, é o desaparecimento de todas. Uma das maiores críticas à classe sempre foi a da sua opção pelo silêncio. Os adeptos contestam, os clubes acusam, os comentadores especulam, as redes sociais esmagam, mas os responsáveis nada dizem nem explicam. Resultado? A falta de informação de dentro é preenchida com desinformação de fora.

Quando quem decide não fala, alguém o fará no seu lugar. O argumento defendido por quem prefere o retorno aos velhos tempos é óbvio: a exposição excessiva fragiliza e transforma explicações em combustível. Verdade. Tal como é verdade que, por cá, poucos estão preparados para receber informação aberta a este nível. Mas é um erro ceder a esse obstáculo cultural sem repensar estratégia. O regresso à idade da pedra não é solução.

O que outras ligas e federações têm feito com sucesso é seguir um modelo de comunicação sustentada. É fundamental ensinar clubes, imprensa e adeptos a perceberem as regras do jogo e a respeitarem os árbitros. Isso requer planeamento, consistência e, sobretudo, coragem política para não recuar nem interromper, ainda que soprem ventos contra de quem insiste em resistir à mudança.

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Afinar medidas é boa gestão. Liquidar todas é saneamento.

O problema nem está no facto de se voltarem a fechar as portas. Está mais no muro que se volta a erguer em torno de um classe que, mais uma vez, tem tudo a perder."

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