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O murro na mesa está a ser dado e os árbitros continuam a entregar pedidos de dispensa para os jogos deste fim-de-semana. Mas afinal qual pode ser a solução caso a greve seja mesmo levada a cabo? Record analisou o que está previsto nos regulamentos e uma das situações de recurso inclui atletas das próprias equipas a jogar... enquanto apitam a partida.
Ora, se só o árbitro principal não comparecer, a situação resolve-se facilmente. A responsabilidade passa para o quarto árbitro ou para o assistente mais categorizado. Caso a categoria seja a mesma, a escolha recai naquele que tiver mais anos de experiência. Certo é que se um destes três elementos estiver em campo, será esse a dirigir o encontro.
No entanto, o que está agora em causa não é isso. Prevê-se uma adesão total, pelo que é preciso olhar além dos primeiros pontos das 'Normas e Instruções', um regulamento do Conselho de Arbitragem da FPF. Os próximos passos envolvem negociações entre os delegados dos clubes e os capitães de equipa, que têm de chegar a acordo e escolher um árbitro oficial que esteja na bancada - caso esteja, não pode recusar as funções - para apitar a partida.
Caso não exista acordo entre os delegados, a responsabilidade de procurar e escolher um árbitro oficial fica para o observador dos árbitros nesse jogo ou para algum dirigente da Federação ou Associação que esteja no local. Se isto não se verificar, os delegados sorteiam entre si quem irá designar o árbitro.
E se não houver árbitros nas bancadas?A questão não se fica pelo que já explicámos. Ora, ainda é preciso perceber o que acontece se não houver qualquer árbitro oficial nas bancadas. Pois bem, os delegados têm de chegar a acordo sobre quem devem nomear - qualquer pessoa é 'elegível' - e, mais uma vez, se não houver concordância, procede-se a um sorteio.
Feito esse sorteio, o delegado 'vencedor' escolhe "um elemento da sua confiança", "confiará a arbitragem a um jogador da sua equipa" ou "em última instância, entregará a direção do jogo ao capitão do seu grupo". Isso mesmo. O Benfica-V. Setúbal poderia ser apitado por Luisão, por exemplo, sendo que a nomeação para dirigir a partida não implica deixar de jogar. Ou seja, teríamos um árbitro... jogador.
Diga-se que nenhum clube pode recusar entrar em ação alegando falta de árbitro. Por isso mesmo, mesmo que não haja encontro, se essa for a justificação, os dois clubes são punidos com derrota por falta de comparência.
Solução internacional pouco provávelO regulamento da Liga prevê a possibilidade de os jogos serem dirigidos por um árbitro estrangeiro, de uma Federação com a qual exista acordo, mas essa é uma solução muito pouco provável nesta altura. Isto porque, se existir uma greve em vigor, é quase certo que os árbitros de fora recusem essa responsabilidade, tal como já aconteceu.
Por Pedro Gonçalo Pinto