«Diziam que éramos uns bandidos»: Nélio Lucas e a reputação da Doyen após o Football Leaks

• Foto: Duarte Roriz

Nélio Lucas, ex-administrador da Doyen Sports Investments, continuou a ser ouvido esta manhã, na 22.ª sessão do julgamento de Rui Pinto, tendo sido agora inquirido pela advogada da Doyen, Sofia Branco. O empresário explicou que os fundos de investimento "não são proibidos" e que mesmo assim a própria Doyen "não é um fundo, é uma sociedade comercial" e que os sócios Lucas e Malik Ali "são os beneficiários económicos". "Poderia aparecer nos documentos que era um fundo, mas isso era uma denominação que as partes encontravam", justificou.

Sobre a transferência de Rojo para o Manchester United, Nélio Lucas referiu: "Achámos que os 12 milhões de euros até tinham sido um bom negócio para todos. Para nós estava bem e até deixámos o Sporting receber primeiro. Mas não nos pagou e depois o TAS até decidiu um valor mais elevado".

PUB

Nélio Lucas esclareceu também a origem dos milhões que a Doyen tinha para investir. "A fortuna da família de Malik Ali era gerida por uma sociedade de gestão de ativos na Suíça", disse, acrescentando que a Doyen era sediada em Malta "por uma questão tributária".

Depois surgiu um momento mais quente nesta sessão, referente ao certificado de registo criminal (CRC) de Nélio Lucas. O próprio entregou o CRC ao tribunal, depois da defesa de Rui Pinto ter pedido ao tribunal esse mesmo documento, mas com todos os antecedentes criminais, mesmo os referentes a crimes já prescritos. "Mas sou eu que estou a ser julgado?", questionou Nélio Lucas, que é assistente no processo. A advogada da Doyen pediu ao empresário para se acalmar e o coletivo de juízes salientou: "A senhora testemunha não está a ser julgada".

PUB

Nélio Lucas fez ainda questão de referir que as revelações feitas pelo ‘Football Leaks’ causaram fortes danos reputacionais à Doyen. "Ficou tudo mais difícil. Devido à exposição mediática que o caso tomou, a atividade da Doyen foi colocada em causa. Ter reputação mais negra era impossível. Todos diziam que éramos todos uma cambada de bandidos, pouco transparentes".

Recorde-se que Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 7 de agosto, "devido à sua colaboração" com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu "sentido crítico", mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

PUB

Por Luís Mota
Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Football Leaks Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB