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A 27.ª sessão do julgamento do Football Leaks foi esta quarta-feira interrompida pouco depois do seu início e está adiada durante os próximos 14 dias.
Pouco depois do início da sessão, em que o advogado Pedro Henriques, antigo colaborador de Nélio Lucas na Doyen, estava a ser ouvido, a juíza Ana Paula Conceição recebeu uma notificação, confirmando o caso positivo ao novo coronavírus de um familiar.
"Vamos interromper o julgamento para os próximos 14 dias. Não sei quando poderemos retomar, serão depois notificados", declarou a presidente do coletivo de juízes, Margarida Alves, que tinha duas a três sessões semanais agendadas até 10 de dezembro. O julgamento de Rui Pinto está assim suspenso por 14 dias. No entanto com a aproximação do final do ano o mais provável é que as sessão do julgamento só sejam retomadas em 2021.
Até ao momento em que a sessão foi suspensa, esta tinha ficado marcada pela apresentação de um requerimento da defesa do arguido Aníbal Pinto, ainda antes de a testemunha Pedro Henriques, advogado e antigo colaborador de Nélio Lucas no fundo de investimento Doyen, começar a prestar depoimento, no sentido de impugnar a inquirição.
Em causa, segundo o advogado João Pereira dos Santos, estava uma alegada conversa de Pedro Henriques com o representante legal de Aníbal Pinto num outro processo, João Azevedo, a quem teria sido transmitido "de forma clara e agressiva que acontecesse a Aníbal Pinto o dobro do que lhe está a acontecer". O coletivo de juízes decidiu indeferir o requerimento e abriu caminho à inquirição da testemunha pelo Ministério Público.
De seguida, Pedro Henriques começou por explicar a sua ligação aos factos do processo, que culminaram na alegada tentativa de extorsão à Doyen pelos arguidos Rui Pinto e Aníbal Pinto.
O antigo colaborador do fundo de investimento relembrou que em 2015 "começou a surgir no Football Leaks documentação confidencial da Doyen" e que Nélio Lucas estava a receber e-mails de Artem Lobuzov - que mais tarde se veio a saber ser Rui Pinto--, nos quais seria pedida "uma quantia entre 500 mil e um milhão de euros" para o fim das publicações na Internet.
"Nélio Lucas disse-me 'Podes não acreditar, mas [Artem Lobuzov] disse que isto tem de ser tratado entre advogados e indicou Aníbal Pinto'. Mais tarde pude perceber os motivos", afirmou Pedro Henriques, aludindo à conversa no encontro com Nélio Lucas e Aníbal Pinto na área de serviço da autoestrada A5, em Oeiras, em que o arguido disse que "tinha sido advogado de uma pessoa que tinha retirado dinheiro das Ilhas Caimão": "Havia esta ligação", observou.
Rui Pinto, de 32 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e foi o que levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto.
Por Luís Mota e Lusa