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Ex-diretor desportivo de futebol feminino do Leixões condenado por assédio sexual a jogadoras menores

Manuel Graça no Leixões
• Foto: Leixões SC

O Conselho de Disciplina da FPF condenou esta segunda-feira Manuel Graça, ex-diretor desportivo de futebol feminino do Leixões, por assédio sexual a jogadoras menores do clube, tendo sido denunciado dois casos vividos na época 2025/26 por atletas da equipa sub-19. 

Manuel José Santos Graça deixou o cargo para assumir a posição de delegado no Racing Power esta temporada, mas recebeu agora uma suspensão de três meses das funções. Já Jorge Moreira, presidente do Leixões, e o próprio clube, constituídos arguidos, foram absolvidos das acusações. 

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Segundo o acórdão publicado pela FPF, as vítimas tinham 15 e 17 anos e denunciaram a responsáveis do clube mais do que uma incidência com o então diretor desportivo, que teve um comportamentos físicos e linguísticos impróprios com as jogadoras. 

Um dos casos aconteceu quando Manuel Graça - que à data dos factos tinha 66 anos - convidou as atletas para tomarem café no bar das instalações do clube. Enquanto subiam as escadas de acesso ao estabelecimento, a jogadora de 17 anos disse ao arguido "Sr. Graça, é como o meu pai dizia, você nem f*** nem deixa f****". Em resposta, o diretor desportivo afastou a jogadora de 15 anos e afirmou que "se ela [atleta de 17 anos] tivesse 20 anos, eu mostrava-lhe o que era f****."

As duas jogadoras iam várias vezes mais cedo para as instalações do clube, devido às sessões de fisioterapia da atleta mais velha, que se encontrava lesionada na altura e utilizava o gabinete do arguido para se equipar para a fisioterapia, porque o balneário destinado para tal estava por vezes fechado. Manuel Graça não estava presente no momento da troca, mas recebia às vezes as jogadoras depois da fisioterapia para fazerem tempo até ao horário do treino. Em uma das ocasiões, o dirigente passou as mãos nas coxas da atleta de 17 anos, sem o seu consentimento. Após esse evento, o diretor dirigiu-se à jovem proferindo frases como "eu adoro pretinhas" e "eu adoro a minha moreninha". 

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Quanto à jogadora de 15 anos, foram denunciados dois eventos em que o diretor terá passado a mão pela sua cintura em gesto de cumprimento e durante a roda com os agentes desportivos e jogadores após um jogo para o campeonato, onde terá alegadamente também lhe tocado no seio. 

As jogadoras denunciaram as ocorrências a Sandra Martins e Elisabete Oliveira, diretoras do Leixões, que reportaram o caso a João Dias, treinador das sub-19 e adjunto na equipa feminina sénior, tendo relatado a situação a Rui Magalhães, técnico principal desta equipa. Rui Magalhães transmitiu a informação a Jorge Moreira, presidente do clube, que não se reuniu com as jogadores ou instaurou um processo para averiguar as denúncias, mas confrontou Manuel Graça com as acusações e aconselhou o diretor desportivo a deixar de comparecer aos treinos das equipas femininas de sub-15, sub-17 e sub-19. 

O arguido seguiu a sugestão, contudo negou as acusações, "dizendo-se vítima de uma perseguição interna movida pelos treinadores José Pedro Silva e Helena Macieira, que havia dispensado." O presidente do Leixões indicou às diretoras dos escalões em questão para ficarem atentas e entrou em contacto com Catarina Mendes, treinadora do FC Porto, onde o arguido tinha exercido funções antes de rumar ao Leixões. A técnica afirmou que não tinha ouvido casos semelhantes no seu clube durante o tempo que trabalhou com Manuel Graça. 

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Manuel Graça apresentou uma defesa escrita e considerou que a "a imputação que lhe é dirigida, além de infundada, traduz uma acusação que o Arguido considera profundamente injusta e atentatória da sua honra, seriedade e integridade pessoal e profissional."

Contactado por Record, Manuel Graça não quis prestar declarações. 

Por Camila Soeiro
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