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Fernando Tavares critica 'post' de Mónica Jorge: «Pode ser lido como um sinal de desalinhamento interno»

Mónica Jorge com Rui Costa durante o Benfica-Sp. Braga da Taça de Portugal
• Foto: Luís Manuel Neves

Fernando Tavares criticou uma publicação feita por Mónica Jorge, diretora do futebol feminino das águias, na qual escreveu na legenda uma frase do filósofo espanhol José Ortega y Gasset depois da vitória sobre o Sp. Braga que deu o apuramento para a final da Taça de Portugal: "Eu sou eu e as minhas circunstâncias, e se não as salvo, não me salvo a mim mesmo". O antigo vice-presidente do Benfica, numa longa publicação no LinkedIn, disse que a frase em questão pode ser interpretada "como um sinal de desalinhamento interno". "Em gestão, recomenda-se a prudência de tratar este tipo de temas internamente", escreveu, levantando ainda uma questão por Mónica Jorge ser uma "figura historicamente ligada à Federação: "Estará o Benfica a aproximar-se da lógica institucional dominante, correndo o risco de diluir a identidade disruptiva que impulsionou o seu sucesso?"

Leia a publicação de Fernando Tavares na íntegra: 

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"A diretora do futebol feminino do Benfica recorreu às redes sociais para invocar uma analogia ambígua usando uma frase do filósofo espanhol José Ortega y Gasset: 'Eu sou eu e as minhas circunstâncias, e se não as salvo, não me salvo a mim mesmo'. Esta frase remete para responsabilidade e contexto: ninguém se afirma sem melhorar o ambiente em que está inserido. Ou seja, como interpretar? 'Há circunstâncias que não são as ideais e se isso não for corrigido, ninguém se salva, nem eu, nem a equipa'. Mas pergunta-se: que circunstâncias? Que contexto? Estrutura? Treinador? Publicá-la, neste momento, depois de uma vitória categórica e com duas competições para conquistar, pode ser lido como um sinal de desalinhamento interno. Uma mensagem implícita de que “o problema não sou eu, é o contexto”, sem identificação clara de causas ou responsáveis. Em gestão, recomenda-se a prudência de tratar este tipo de temas internamente.

O projeto de futebol feminino do Benfica nasceu, desde o primeiro momento, claramente com uma lógica e ambição disruptivas: elevar o nível competitivo e competir com a elite europeia. Esse posicionamento acelerou o crescimento da modalidade em Portugal, ainda que nem sempre alinhado com a lógica institucional da tutela, mais gradual, progressiva e controlada, como se verificou no episódio de tentativa de implementação de um teto orçamental em 2020, que visava travar o crescimento do Benfica e nivelar a competição por baixo.

Paradoxalmente, o sucesso europeu do Benfica acabou por reforçar a narrativa de progresso do futebol feminino nacional por parte da tutela desportiva. Esse sucesso colocou o Benfica no top 10 do ranking da UEFA.

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Neste contexto, a integração da nova diretora na estrutura do futebol feminino, figura historicamente ligada à Federação, levanta uma questão estratégica, não pessoal: estará o Benfica a aproximar-se da lógica institucional dominante, correndo o risco de diluir a identidade disruptiva que impulsionou o seu sucesso?

Em jeito de conclusão. A questão é simples: consolidação ou mudança de paradigma? Os sinais são preocupantes. Determinante que a equipa, que sempre deu provas de enorme profissionalismo, conquiste a dobradinha".

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