Beatriz Cameirão fez questão de frisar não estar "a apontar o dedo a ninguém", mas pôs o dedo na ferida. A jogadora do Benfica, mãe não gestante de dois meninos de dois anos, falou sobre a maternidade no futebol, no âmbito do projeto As Embaixadoras, lançado esta sexta-feira pelo Sindicato dos Jogadores.
"A maternidade é um tema que, no contexto desportivo, é chutado para canto. Está silenciado, não se fala, é um tema-tabu. Falo por experiência própria, sinto-me muito sozinha. Sou mãe, mas só em casa, depois sou uma atleta, uma jogadora", começou por referir a centrocampista de 24 anos que joga pelas pentacampeãs nacionais.
"Não há ninguém que dê um murro na mesa, sendo federações, entidades, clubes, que assumam que os direitos que existem são mínimos? Há licença de maternidade, uma proteção contratual da mãe gestante, a mãe não podes ser despedida, o pagamento mínimo de dois terços da licença, de 14 semanas, 8 obrigatórias – nos Estados Unidos, são seis meses. Tem que haver uma consciencialização do que é criar uma criança. Não é ficar 14 semanas em casa. Como é que uma mãe gestante dá de amamentar, se está no treino, no jogo? É urgente que se definam apoios concretos, diários. Nós, mulheres, temos um salário muito inferior ao dos homens. Eu não posso despender 90% do meu salário para um serviço de baby-sitter. Se não tenho essa rede de apoio, preciso de apoios. Nem todos os clubes terão essa capacidade, mas então terão de ser apoios federativos, não sei. Se vou para o treino, o clube precisa de ter uma sala, onde o meu bebé, a minha criança, tenha disponível um serviço de baby-sitter. Fica ali durante três horas. Eu, quando saio, às vezes tenho de pagar oito horas, é muito tempo. Nos Estados unidos, há um ‘child-care’ fantástico, desde seguros de saúde suportados pelos clubes, até apoios em viagem. Semana sim, semana não, estamos fora, às vezes a meio da semana, para quem tem a Champions", reportou.
"É muito difícil, muito complicado conciliar, tive de adaptar-me, mas não foi com sorriso de orelha a orelha. E as jogadoras que pudessem pensar em ser mães são desencorajadas, pelas dificuldades que observam em nós, não há essa segurança, não há apoios concretos. Este é um tema urgente. Não há solução nos clubes que permitam que eles ficam três horinhas numa sala. Uma atleta, mãe, mulher que joga, só é mãe em casa, não há apoios", rematou Beatriz Cameirão.
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