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Domínio aéreo do Leça resolve falta de futebol

A CONTUNDÊNCIA do Leça nos cruzamentos quebrou domingo a defesa da Naval e assegurou uma vitória tangencial nos números (3-2) mas confortável no relvado. Fran marcou o primeiro e o terceiro golo, e só teve que explorar as duas principais fraquezas dos adversários: a péssima marcação individual após os cantos e a incapacidade para atacar evitando desequilíbrios defensivos. De resto, as duas equipas foram o espelho uma da outra.

Preocupadas em destruir o futebol do opositor, desprezaram quase sempre a bola, e acabaram por se concentrar apenas na anulação recíproca. Qualitativamente o jogo foi insatisfatório. Marcaram-se cinco golos, o que ajudou a disfarçar a falta de brilho e a animar os adeptos. Mas a bola viajou demasiadas vezes pelo ar. Os jogadores erraram mais passes do que acertaram. E o encontro parou 48 vezes devido a faltas. Feitas as contas, sobraram os cinco remates certeiros e pouco mais. Quem olhar apenas para o resultado, poderá facilmente convencer-se de que se tratou de um jogo onde predominou a tensão agonística, o espectáculo e o divertimento. Mas o resultado é pura ilusão.

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Exagerar nos rigores defensivos é mal que afecta os dois treinadores. Fernando Festas preparou um Leça empenhado no domínio do meio-campo e na recuperação da bola. Márcio Luís, Zé da Rocha e Camberra conduziram a tarefa com suficiente músculo para travar os adversários. Mas o entendimento com os avançados Isidro e Fran foi inexistente, e a disponibilidade para jogar para a frente idêntica -- ou seja, ficou-se no campo das intenções, ou dos actos falhados.

Para agravar o isolamento dos avançados, os dois laterais -- Sérgio, na esquerda, e Mesquita, na direita -- ficaram reféns das marcações aos extremos da Naval (Wender e Marinho) e o jogo dos leceiros tornou-se ainda mais monótono de tanto insistir pelo meio e desprezar os flancos.

Do lado contrário, Francisco Vital decalcou a estratégia, apenas com uma correcção previsível. Como a Naval visitava um estádio adversário, recusou a responsabilidade de conduzir o jogo, e mentalizou os seus futebolistas para aproveitarem o contra-ataque. No entanto, os planos de Vital consumiram-se em dez minutos. Aos 28' e aos 38', após a marcação de pontapés de canto, a desorientação aérea dos defesas da Figueira da Foz abriu clareiras suficientes para que Fran, primeiro, e Parreira, depois, empurrassem o Leça para a frente do resultado. Como a bola não chegava em condições à grande área da Naval através de jogadas com princípio, meio e fim, valeu o recurso aos cantos para infiltrar a bola no perímetro defensivo do opositor.

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É verdade que a Naval ainda conseguiu reagir ao primeiro golo (Jean Pierre, 33'), mas já não ao segundo e muito menos ao terceiro (Fran, 67'). A equipa de Francisco Vital limitou-se a reduzir a diferença para 3-2 -- Oliveira, aos 86' e tarde de mais --, e teve três singelos minutos de pressão constante sobre o Leça. Mas a pouca força e a falta de rotina em situações de ataque continuado neutralizaram-lhe a reacção.

Cabral Oliveira (treinador adjunto do Leça): "Não foi um jogo bem disputado, mas houve muita entrega. Foi uma vitória merecida."

Francisco Vital (treinador da Naval): "Viemos para vencer, a nossa equipa tem qualidade, mas continuamos a ter algumas deficiências."

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ANDRÉ MACEDO, com RENATO MELO

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