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Ricardo Afeiteira Marques anunciou que colocou o lugar de diretor da formação do Vilafranquense à disposição, algo que foi aceite pela SAD do emblema de Vila Franca de Xira. O agora ex-dirigente esclarece os motivos que o fizeram aceitar o desafio em julho e, menos de um mês depois, abandonar o cargo, com muitas críticas à mistura à gerência da sociedade ribatejana.
"A gestão deverá ser sempre de dentro para fora, enquanto tivermos elementos desestabilizadores à procura da "glória" e do protagonismo individual em prol do coletivo, o caminho será bem mais difícil. Chantagens para atingir os objetivos são inaceitáveis e que colocam em risco um futuro de desenvolvimento e de sustentabilidade do clube", condenou Afeiteira Marques através de uma publicação através da conta de Facebook.
Leia a mensagem na íntegra:
No passado mês de junho, foi convidado para colaborar com a União Desportiva Vilafranquense Futebol SAD, enquanto diretor da equipa de Sub19 que compete no Campeonato Nacional da 1º Divisão e para colaborar no Plano Estratégico para o Futebol de Formação que poderia e deveria ser um documento orientador para o desenvolvimento e sustentabilidade para o Futebol seja o seio da Sociedade Anónima Desportiva, ou no Clube.
Em adicional foi-me pedido a elaboração de um Plano de Comunicação & Marketing que tinha como objetivo melhorar o valor da Marca: UDV Formação e gerar mais receitas, nomeadamente em patrocínios desde da Academia até à Equipa Sénior B – Plano elaborado e começamos a execução do mesmo, com o aumento da comunicação com os sócios e adeptos da União Desportiva Vilafranquense via redes socais, este plano incluía ainda publicidade nos equipamentos, publicidade on-line, publicidade estática, ativações em dia de jogo e comunicação através de newsletter.
Desenvolvimento de uma Plano de Merchandising para os atletas, pais, sócios e adeptos das camadas jovens da União Desportiva Vilafranquense Futebol SAD.
Mais ações estão planeadas: eventos no Cevadeiro como o Fim de Semana União (apresentação de todas as equipas do futebol de formação), Encontros da Academia, comunicação individual por equipa (Seniores B, Sub19, Sub17, Sub16, Sub15, Sub14, Sub13, Sub12, Sub11, Sub10 e Academia).
Foi-nos garantido total autonomia e liberdade na máxima responsabilidade e enquadrada com os desígnios da União Desportiva Vilafranquense Futebol SAD.
Ao dia de hoje, posso garantir que já temos alguns patrocinadores, processos em desenvolvimento para novos patrocinadores e parceiros, alicerçados na dinâmica de comunicação elaborada.
Os objetivos eram claros, colocar as equipas de Sub17 e Sub15 nos Campeonatos Nacionais, de forma a poderem ser a base futura da equipa Sub19; melhorar as condições de atletas e treinadores e solidificar toda a base de formação (infantis, benjamins, traquinas e petizes) com processos para o desenvolvimento dos atletas.
Face aos últimos acontecimentos:
- Mudança de política desportiva para o departamento de futebol de Formação por parte do Conselho de Administração da União Desportiva Vilafranquense Futebol SAD;
- Fim da Equipa Sénior B, que iria competir na 3º divisão da AFL como um novo espaço competitivo para os nossos jovens atletas, por decisão do Conselho de Administração da União Desportiva Vilafranquense Futebol SAD;
- Forte redução das condições à Equipa Sub19, que compete no Campeonato Nacional da 1º Divisão, bem como às restantes equipas da formação;
- Mudança da política de comunicação, com o fim da liberdade de desenvolvimento de conteúdos específicos para o Futebol de Formação e colocado esta responsabilidade sobre o departamento de comunicação da Equipa Profissional;
- A inexistência de qualquer boa coexistência entre o futebol formação e o futebol profissional.
Tais acontecimentos, colocam em causa todo o Plano Estratégico definido pelo grupo de trabalho que faço parte, todo o Plano de Comunicação e Marketing, toda a certificação da Sociedade Anónima Desportiva enquanto Entidade Formadora, bem como todo o espírito do projeto de aceitei fazer parte, com o objetivo do Desenvolvimento Sustentado do Futebol na União Desportiva Vilafranquense.
Toda a minha colaboração, sempre foi de forma Pro Bono, exigência minha desde a primeira hora e sem base de protagonismo individual, sendo o único objetivo colaborar para o desenvolvimento sustentável do futebol de formação.
Para alguns o dinheiro compra tudo, mas para mim não, com o dinheiro pode-se comprar um livro, mas não a inteligência, com o dinheiro pode-se comprar uma posição, mas não o respeito.
A instabilidade é algo natural no desporto face à imprevisibilidade dos resultados, mas a instabilidade criada de dentro (e de "satélites" que giram à volta) é incompreensível e inaceitável.
A gestão deverá ser sempre de dentro para fora, enquanto tivermos elementos desestabilizadores à procura da "glória" e do protagonismo individual em prol do coletivo, o caminho será bem mais difícil.
Chantagens para atingir os objetivos são inaceitáveis e que colocam em risco um futuro de desenvolvimento e de sustentabilidade do Clube.
A bem do sucesso é necessário clarividência, estratégia, liderança e profissionalismo.
Ao contrário de "alguns" desejo que a União Desportiva Vilafranquense em qualquer dimensão ou organização jurídica, ganhe e tal como disse Filberto Barquinha: "A todos os atletas da União Desportiva Vilafranquense, meu clube, gostaria de os ver envergar a camisola com total entrega e humildade, seguindo um princípio essencial: para sermos grandes temos que respeitar o adversário, obedecer aos árbitros e fazer o público feliz."
Assim e após a ponderação necessária para uma tomada de decisão, informo que coloquei o meu lugar a disposição (que foi aceite) e que a partir de ontem deixei ter quaisquer cargos ou responsabilidades no Futebol de Formação da União Desportiva Vilafranquense Futebol SAD, decisão difícil enquanto Unionista, mas não será qualquer "magnata da energia", qualquer "manso", qualquer "amparo", qualquer "cão", qualquer "trolha", qualquer "toupeira", qualquer "rei sol" ou quaisquer "chulos encapotados" que colocam em causa a minha dignidade, o meu profissionalismo, as minhas capacidades ou competências, o meu passado fala por mim, mas essencialmente o meu futuro irá comprovar tais palavras.
Irei continuar naturalmente a acompanhar a vida do Clube e em particular o futebol, essencialmente e por razões que são difíceis de explicar os sub19, um grupo que tive o privilégio de fazer parte, um grupo de treinadores que como poucos sentem o União, um grupo de "staff" incansáveis e essencialmente um grupo de jogadores que em tão pouco tempo têm um verdadeiro espírito: "Raça Ribatejana".
Ao Luís Diniz, Paulo Robles, Sérgio Pinto, André Machado, Carlos Fialho, Fábio Varão, Martim Diniz, Hugo Lopes, Miguel Leite, Diogo Machado, Marco Talhadas, Bruno Mateus, Sara Mateus e António Torrão, o meu agradecimento público por esta curta, mas proveitosa viagem.
Não irei realizar mais comentários sobre estes acontecimentos ou esta decisão publicamente, voltarei a falar sobre a situação atual e futura do Clube em geral e do futebol em particular, na hora certa, no local certo, ou seja, numa futura Assembleia Geral.
Por Flávio Miguel Silva