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A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia recebeu e homenageou, ontem, quarta-feira, Vítor Matos e João Moura, duas figuras ligadas ao recente sucesso desportivo do Marítimo, num momento marcado pelo reconhecimento público do percurso de ambos.
O atual treinador do Swansea, que iniciou a caminhada que culminou no título da 2.ª Liga pelos insulares, e o diretor desportivo do clube madeirense foram distinguidos pelo presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes, numa cerimónia que sublinhou o orgulho do concelho em dois profissionais com ligação a Gaia e projeção no futebol nacional e internacional.
Durante a receção, Menezes destacou o impacto de ambos no desporto, elogiando a capacidade de trabalho e a ambição demonstrada ao longo das respetivas carreiras, antes de lançar um desafio simbólico: regressarem um dia a Gaia como vencedores da Liga dos Campeões.
A homenagem incluiu a oferta de uma camisola oficial do Marítimo personalizada com a inscrição “V.N. Gaia”, reforçando a ligação às raízes e ao percurso que une os dois profissionais ao clube insular.
O município enquadrou ainda este reconhecimento num contexto mais amplo de valorização do talento local, apontando para o papel de figuras como Vítor Matos e João Moura na projeção internacional do concelho.De acordo com a autarquia, tratou-se de um momento de “orgulho, reconhecimento e ligação às raízes”, que reforça a ideia de Gaia como “terra de talento, ambição e futuro no desporto”.
Vítor Matos, recorde-se, deixou o Marítimo a meio da época depois de ter lançado as bases da campanha vitoriosa, rumando ao Swansea, enquanto João Moura tem sido uma peça central na estrutura diretiva que sustentou o regresso dos madeirenses ao topo.
Prometer muito e entregar ainda mais
Quando João Moura assumiu a direção desportiva do Marítimo, em dezembro de 2024, o cenário estava longe de ser animador. A equipa encontrava-se mergulhada na 2.ª Liga, a meio da tabela, distante do lugar onde a história do clube a habituou. Ainda assim, o dirigente não hesitou em definir o rumo. “Quero recolocar o Marítimo no lugar onde nunca devia ter saído.” Mais do que uma frase, foi um compromisso claro.
Os primeiros meses foram de contenção e reorganização. Com a época já em andamento, havia pouco espaço para mudanças profundas, mas foi possível devolver estabilidade. A escolha de Ivo Vieira revelou-se determinante nesse processo, permitindo devolver serenidade ao balneário e garantir uma permanência tranquila no segundo escalão.
A verdadeira dimensão do trabalho de João Moura surgiu na época que está a uma jornada de terminar. Em articulação com o presidente Carlos André Gomes, afinou a estratégia e apostou em Vítor Matos para treinador principal. A decisão revelou-se certeira. Foi sob a sua liderança que se construíram as bases do Marítimo que viria a conquistar o título da 2.ª Liga.
O impacto do projeto não se limitou ao relvado. A saída de Vítor Matos para o Swansea, ao fim de apenas 12 jornadas, rendeu um milhão de euros aos cofres do clube e estabeleceu um recorde na venda de treinadores no contexto da 2.ª Liga. Um sinal evidente da valorização gerada por uma estrutura que soube potenciar ativos.
Seguiu-se nova decisão relevante, com a aposta em Miguel Moita. Também aqui houve acerto. O antigo adjunto de Leonardo Jardim deu continuidade ao trabalho, consolidou a equipa e conduziu o Marítimo à subida, juntando-lhe ainda a conquista do campeonato.
Paralelamente, a política de contratações foi outro dos pilares do sucesso. Sem grande ruído, mas com eficácia, João Moura, juntamente com os seus pares, Vítor Matos incluído, contribuiu para a construção de um plantel equilibrado e competitivo, alinhado com os objetivos definidos.
Agora, com o regresso ao primeiro escalão assegurado, o foco já se projeta no futuro. “Existe esse entrave, é uma dificuldade para quem sobe de divisão, sobretudo nos primeiros dois ou três anos”, reconheceu João Moura, em declarações recentes à Sport TV. Ainda assim, mostra confiança. “Compete-nos ultrapassar essas dificuldades, ter alguma criatividade na abordagem ao mercado, preparar com antecedência alguns cenários. Acho que o Marítimo, hoje em dia, está capaz de atingir os seus objetivos no primeiro escalão.”
Para já, o dirigente mantém a concentração no presente, mesmo que no Marítimo ninguém dê por garantida a continuidade de Miguel Moita no comando técnico da equipa.
O percurso fala por si. João Moura chegou com uma promessa clara e cumpriu-a com margem. O Marítimo regressa ao convívio dos grandes com bases sólidas e com a ambição renovada.