Foi sob o lema "Marítimo, sempre", que Carlos Batista apresentou a sua lista B candidata às eleições do emblema madeirense, agendadas para o próximo dia 17 de novembro. O candidato a presidente começou por falar sobre o seu passado na atual direção demissionária. "Somos pessoas responsáveis. Herdámos resultados negativos, pois nos últimos seis anos, o Marítimo tinha tido grandes dificuldades em termos de equipa principal. No primeiro ano, as coisas correram bem, um modelo do atual presidente e da equipa liderada pelo João Luís, a minha responsabilidade era financeira, mas fui aprendendo numa estrutura de futebol profissional que não conhecia. Nessa altura tivemos 1 milhão e 200 mil euros de resultado positivo. No segundo ano, as coisas começaram a não correr bem e tentamos todos encontrar o melhor rumo em favor do Marítimo. Isso não aconteceu por parte do presidente do Marítimo. Continuei sob a condição de termos uma estrutura diferente no futebol, daí a vinda do Tiago Lenho. O desporto é assim, infelizmente não correu bem e descemos de divisão. Como as estratégias não estavam de acordo com as nossas ideias, este grupo assumiu que iríamos para eleições, tendo a responsabilidade de construir um plantel competitivo. E se me questionar, é agora a altura ideal? Nunca há uma altura ideal, mas este é um momento importante. Já estamos a estruturar um plantel para o mercado de Inverno, estando a trabalhar em conjunto com a estrutura da SAD e equipa técnica nesse sentido", começou por afirmar.
Quanto ao futuro próximo para a equipa principal dos verde-rubros, Carlos Batista tem as ideias bem definidas: "Temos identificadas com a estrutura da SAD as posições a reforçar e recrutar jogadores que já temos identificados. Já sabemos exatamente o que queremos. Estive num processo de reestruturação profunda na época passada, conseguimos chegar a entendimento com todos os jogadores que tinham de sair e recrutar 14 novos futebolistas. Há sempre alguns que não se adaptam. Ouvi dizer que vai haver um teto salarial, mas não vai haver. Não há nenhum clube português que não faça reajustes ao longo da temporada. Não é por acaso que temos investidores no futebol português. Não há outra solução, ou então, temos de fazer vendas de jogadores."
Carlos Batista garantiu também que as negociações com possíveis investidores vão ser uma realidade em caso de vitória. "Há, nesse sentido, a perspetiva de trabalharmos com os três investidores que já estavam identificados e até podem aparecer outros. Já temos garantido um financiamento por uma entidade internacional e outra nacional, que nos dá a possibilidade de garantir um empréstimo financeiro, porque é preciso concluir o estádio. Não podemos continuar a fazer obrinhas", revelou. E quanto às negociações com o ex-futebolista canadiano Alex? "As negociações com o Alex foram suspensas pois esta administração tinha uma Assembleia Geral destitutiva e tinha marcado eleições para outubro. Posso partilhar convosco que havia questões que tinham de ser afinadas, o que ainda leva alguns meses. O Marítimo precisa de soluções imediatas de financiamento. Concluir o estádio permite torná-lo rentável. Uma decisão que tomei como Diretor Financeiro, é que não haveria mais um euro para o estádio, se este não der dois euros de receita. É que a SAD está a pagar um milhão e meio de euros pela sua utilização, o que é retirar capacidade de investimento na equipa, sendo o estádio utilizado duas vezes por mês em jogos oficiais e em treinos no relvado".
Pessoas competentes na SAD
O candidato assume que a futura estrutura da SAD será muito competente e com gente conhecida. "Já temos para trabalhar connosco o Francisco Sá que estará no futebol de formação e integrar a SAD. Vamos ter uma referência do Marítimo, antigo capitão, muito competente que nos vai ajudar e também uma outra pessoa muito conhecida que nos vai ajudar em termos de várias áreas. Vamos profissionalizar. Vamos privilegiar o jogador madeirense, técnicos madeirenses e há muitos que estão a trabalhar no exterior", revelou.
Sobre quem vai ser o futuro diretor desportivo, Carlos Batista foi direto: "Não tenho ainda identificado um diretor desportivo. Esse trabalho tem de ser feito pela estrutura da SAD e obviamente que só se ganharmos as eleições é que podemos avançar. Essas pessoas estão a trabalhar e só vão ingressar no Marítimo se a Lista B ganhar a eleição, por isso, não posso divulgar os seus nomes."
O presidente da Assembleia Geral, José Augusto Araújo, aceitou prolongar o prazo para apresentação de possíveis listas candidatas, face a um movimento de um grupo de sócios que surgiu contestatário em relação a esse facto, permitindo que possa surgir uma nova candidatura, até à próxima segunda-feira. Sobre esta matéria, o dirigente demissionário não se mostrou incomodado: "O Marítimo é um clube democrático. Se está dentro das regras, isso compete à comissão de eleições. Por nós, desde que cumpram as regras são bem-vindos, pois os sócios vão ter oportunidade de escolher".
Por último, abordou a contestação dos adeptos ao técnico Tulipa: "Obviamente, quando os resultados não aparecem, e lembro que o Marítimo está a um ponto dos lugares de subida, os adeptos têm toda a legitimidade de querer mais. Temos estado junto dos sócios e esperemos que agora frente ao Leixões possa trazer um resultado positivo, pois a equipa está toda motivada nesse sentido. Vamos ter novamente um grande número de adeptos para trazer energia positiva".
Carlos Batista disse ainda desconhecer o comentário de Alberto João Jardim sobre as listas candidatas e onde apoiou a Lista A. "Desconheço essa declaração. Esta equipa que foi hoje apresentada, todos foram dirigentes, atletas, treinadores de alta competição e com experiência grande no dirigismo. Não quero falar na outra lista, mas não vejo ninguém com experiência diretiva nessa lista. Eu já estou no dirigismo há 50 anos, com uma vasta experiência e títulos. Não vou comentar a avaliação do Dr. Alberto João Jardim em relação à nossa lista", finalizou.
Por João Manuel Fernandes