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Já com o título de campeão no bolso e com um lugar reservado na Liga Betclic, o Marítimo recebe esta sexta-feira o Chaves, no encontro que encerra a temporada fantástica dos verde-rubros. Apesar dos bons resultados, existe incerteza em relação à continuidade de Miguel Moita no comando técnico do clube e, mesmo com o fim do campeonato próximo, o treinador voltou a não abrir o jogo quanto ao futuro, adiando a conversa para a reunião com o presidente Carlos André Gomes, na próxima segunda-feira. “Espero conversar com as pessoas, ter uma conversa serena de homem para homem. Espero na próxima semana conversar com o presidente, com o Diretor Desportivo, com o vice-presidente, como é normal acontecer num final de época”, afirmou o treinador.
Em relação às notícias que dão conta da sua não continuidade nos maritimistas, Moita foi claro: “Acho que não é assunto, é ruído no continente, é ruído aqui na Madeira. Essas coisas têm de ser tratadas em sede própria. Depois do último jogo, certamente que as pessoas vão conversar e as coisas resolvem-se. Já disse e volto a dizer, nenhum treinador está acima do clube. Neste momento a mensagem que quero passar aos adeptos e a todos os que nos ouvem é que o Marítimo é o mais importante, está na 1.ª Liga, fomos campeões e subimos de divisão. Se forem ver as estatísticas, a equipa foi sempre melhorando do início até ao final da época, é por isso que os maritimistas têm de estar contentes e perceber que o trabalho foi muito bem feito”.
Quando questionado sobre ver a possível saída como uma dose de ingratidão face ao que conseguiu ao leme da equipa, o treinador de 42 anos voltou a desviar a atenção para o foco principal nesta reta final do campeonato: o jogo frente ao Chaves. “São coisas que depois poderemos falar, neste momento estou concentrado. Ainda na semana passada fiz um esforço para manter a equipa concentrada e não baixar a guarda em Penafiel. Muitas vezes nestes momentos, com os festejos, é complicado as pessoas manterem o foco e lutarem por um objetivo. Mas uma coisa que me orgulho muito nestes jogadores é que a maior parte dos que jogaram mais durante o ano, querem jogar. Pensava que poderia haver algum a pedir para folgar, mas não, todos querem jogar e isso deixa-me super contente, porque é o último jogo, mas todos se querem mostrar e preparar já para o próximo ano”.
Apesar de não querer comentar sobre o futuro, Moita garantiu estar pronto para ingressar num projeto no escalão principal: "Depois de se treinar o Marítimo, um clube que já é de primeira como muita gente diz, sinto-me preparado para um desafio desse género, que é treinar na 1.ª Liga."
Atitude é a chave da vitória
Com a receção ao Chaves a encerrar a época, o jogo está a ser preparado como uma final, com o treinador dos madeirenses a procurar acabar a temporada com uma vitória no derradeiro encontro no Caldeirão dos Barreiros. “É muito importante vencer. Jogamos sempre para ganhar, tal como tentámos fazer em Penafiel, e não o vamos deixar de fazer amanhã [sexta-feira]. É preciso atitude e ser competitivo, isso é o início para depois se conseguir as vitórias. Chegamos ao jogo final e, se pudesse, convocava os jogadores todos, incluindo os que estão nos Sub-23 e trabalham connosco. Queremos entrar para ganhar, honrar a camisola e dar ainda mais do que fomos durante toda a época”, disse Moita, vendo a partida como um adeus ao segundo escalão nacional e não uma despedida aos adeptos: “É a despedida porque é o último jogo que o Marítimo tem na 2.ª Liga e no próximo ano vai estar na 1.ª Liga. É só isso”.
Em relação às escolhas para defrontar os flavienses, Miguel Moita admitiu que pode haver mexidas: “Vou fazer uma rotação que acho necessária, dando a oportunidade a alguns jogadores, mas mantendo a equipa competitiva. Vocês viram com o Penafiel aquilo que aconteceu onde tivemos uma primeira parte muito boa, com controlo do jogo. Agora teremos de ser mais acutilantes em termos ofensivos e acredito que o apoio vindo da bancada talvez nos ajude nesse aspeto."
Adeptos importantes
Após o jogo, será montado no exterior do estádio um cenário de festa, entre plantel, treinadores, dirigentes e adeptos verde-rubros. O treinador elogiou o apoio dos sócios e simpatizantes do Marítimoe pediu mesmo que se juntem à equipa no final do encontro.
“Os adeptos estiveram sempre presentes, nos momentos bons e maus. Senti isso na pele, uma vez perdemos um jogo e chegamos aos Barreiros e tinhamos alguém a apoiar-nos, a festejar e a cantar. É sem dúvida muito reconfortante e dá-nos energia para mais uma semana, onde muitas vezes sabemos que os primeiros dias não são tão positivos. Os adeptos foram de facto muito importantes”, afirmou Moita, antes de reforçar a "estrondosa" caminhada do clube este ano: “Sem dúvida que é uma época estrondosa e o que queremos fazer amanhã [sexta-feira] é honrar tudo isso. Honrar a subida de divisão, o título de campeões, honrar o percurso e o trabalho árduo e diário que a equipa teve. Depois, queremos honrar os adeptos que muito nos ajudaram ao longo desta época, pois não me lembro de uma equipa de 2.ª Liga a ter a legião de adeptos como nós tivemos em quase em todos os jogos. Apelo que compareçam para o último jogo e que festejassem connosco no final do jogo, na festa que vai haver na praça exterior ao estádio, pois queremos muito festejar com eles.”
Por João Manuel Fernandes