O Marítimo já garantiu a subida à Liga Betclic, já se sagrou campeão da 2.ª Liga, mas o técnico Miguel Moita não recebeu qualquer contacto por parte do presidente Carlos André Gomes, sendo certo que não irá continuar no próximo ano. Na conferência de imprensa de lançamento da visita a Penafiel, Moita preferiu dizer que a passagem pelo clube foi uma mais-valia pessoal e destacou o que já conquistou pelos maritimistas.
"Há sempre ruído, sempre notícias e é ruído que vem ao de cima. Mas o meu futuro é o menos importante. Sei que fui campeão como treinador e com este conjunto de jogadores, sei que subimos de divisão e foi muito importante para o clube. No final haverá tempo para resolver a vida e o futuro de Miguel Moita, porque isso não é o mais importante. O mais importante é ganhar o próximo jogo e mantermos a equipa competitiva", afirmou o treinador. Apesar da insistência dos jornalistas se achava normal não ter sido abordado para continuar, foi taxativo. "No final eu vou falar e o clube também falará e logo se vê aquilo que poderá haver para falar", afirmou, relembrando o passado recente no clube em termos de treinadores. "Não é o mais importante saber se neste momento eu fui convidado. O mais importante é o Marítimo. Eu lembro-me que num passado recente, os treinadores que subiram de divisão só no final do campeonato é que trataram da vidinha deles e ficou tudo organizado, o que é o normal", sublinhou.
Apesar de desconhecer o que reserva o futuro, Miguel Moita, de 42 anos, mostrou-se contente com o seu trabalho na estreia como técnico principal. "Estou contente por ter subido de divisão e por ter sido campeão. A passagem pelo Marítimo está a ser uma mais-valia. Foi uma oportunidade fantástica para mim enquanto treinador e acho que para o clube também foi muito importante, ter apostado neste perfil de treinador, porque os resultados estão à vista. As nossas estatísticas falam por si só e por isso acho que foi uma aposta certa a que fiz na minha carreira”, referiu, reiterando a visão acerca do seu futuro: “Não sei, o futuro dirá, tudo pode acontecer."
Orgulho enorme na equipa
Sob o comando de Miguel Moita, o Marítimo somou 13 vitórias em 20 jogos, consentindo 4 empates e apenas 3 derrotas. "É com orgulho enorme que sou treinador desta equipa e consegui ajudar o Marítimo, juntamente com a minha equipa técnica, a subir de divisão e a ser campeão nacional. Não, caibo em mim de felicidade, apesar de às vezes não parecer, porque dizem que sou muito fechado e pouco efusivo. Eu também disse isso aos jogadores, que muitas vezes posso estar mais fechado, mas alegra-me mais ver os meus jogadores a festejar, ver toda a gente a festejar, a comitiva, como aconteceu quando viemos do Benfica B, onde estava toda a gente a festejar, a soltarem tudo aquilo que foi a luta e o trabalho de uma época, do que estar eu a festejar, porque às vezes fico mais a observar", explicou.
Contudo, o técnico assegura que o Marítimo vai encarar com seriedade o que falta disputar nesta temporada. "É com enorme alegria que estou a viver este momento, mas não deixamos de trabalhar e o foco continua nos dois próximos jogos, primeiro com o Penafiel e depois Chaves", afirmou Miguel Moita, virando a agulha para a deslocação a Penafiel. "O objetivo é continuar a ganhar. Pedi aos jogadores para mostrarem mais uma vez porque é que estamos em primeiro e fomos campeões. Temos de continuar a ser competitivos, respeitar-nos a nós próprios e os nossos adversários. Disse-lhes também que nós estamos em primeiro e somos campeões, mas noutros momentos já estivemos para não descer e eu acho que é muito importante esse respeito que temos que ter pelos outros. Por isso, aquilo que vamos ter de apresentar é uma equipa competitiva e preparada para ganhar", assegurou.
Para reforçar o seu apelo, o técnico dos madeirenses elogiou o Penafiel. "São uma equipa que se bateu muito bem com o Torreense. Vi o jogo, são uma equipa que trata muito bem a bola, circula bem. Apesar de ser uma equipa que perdeu o último jogo, vinha de uma série interessante de jogos a vencer e conseguiram um balão de oxigénio. Tenho a certeza de que vão querer voltar a esse registo. Como estão numa situação mais apertada vão fazer-se à vida, digamos assim", referiu.
Questionado se iria proceder a algumas mexidas no onze dando oportunidade a jogadores menos utilizados, Moita não abriu o jogo. "Vai haver algumas alterações, mas nunca da equipa toda, isso não vai acontecer. Vai ser uma equipa competitiva, pois sempre fui apologista disso. Sempre disse aos meus jogadores que se tiverem uma oportunidade, têm de estar preparados e foi isso que aconteceu. Nunca me queixei da ausência do Martin Tejón ou do Simo Bouzaidi, simplesmente tinha outros jogadores preparados para terem uma oportunidade. E estavam preparados ou não estavam. Vocês viram o caso do Xico [Francisco Gomes], sempre que foi chamado mostrou estar à altura dos acontecimentos e com todos os jogadores funciona assim", afirmou.