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Simone Muratore, médio italiano de 25 anos, esteve nos quadros do Tondela na temporada 2021/22, por empréstimo da Atalanta, com o clube beirão inserido na 1.ª Liga portuguesa. No entanto, a experiência foi muito curta nos auriverdes - Muratore fez apenas três jogos oficiais, o último em outubro de 2021.
Depois disso, não voltou a ser chamado à competição pelo então treinador Pako Ayestarán. O Tondela justificava a ausência de Muratore com problemas do foro pessoal, sendo que em janeiro de 2022 foi o próprio jogador a desvendar a ponta do véu: "Estive ausente por problemas de saúde". Agora, e em entrevista à 'La Gazzetta dello Sport', contou toda a história dramática que viveu nessa passagem pelo Tondela: foi-lhe diagnosticado, na altura, um neurocitoma, um tumor cerebral raro.
"É a primeira vez que estou a falar da doença e dessa longa recuperação. E confesso que muitas vezes tive vontade de chorar. Foram dois anos muito difíceis, mas agora estou muito bem", referiu. "De início pensei que seria uma pausa momentânea, como já tinha enfrentado no passado por causa de lesões. Antes da cirurgia tinham-me explicado tudo e eu estava bem tranquilo. Só que a operação que devia durar 6-7 horas e acabou por durar 11 horas", acrescentou.
"Quando acordei da anestesia e comecei a ter consciência do que realmente estava a acontecer comigo eu pensei em desistir do futebol. A reabilitação foi muito longa e complexa. Tudo era dificílimo", contou Muratore. Mas teve uma bênção que o ajudou a superar o obstáculo: "O nascimento do meu filho foi uma injeção de força extraordinária. Senti que tinha o dever de tentar, foi como ver uma luz no fim daquele túnel tão escuro, uma motivação a mais para não desistir... A minha namorada e a minha família fizeram a diferença nessa decisão de tentar voltar a jogar".
Ora, Simone Muratore esteve largos anos vinculado à Juventus e chegou mesmo a ser considerado uma das maiores esperanças da formação de Turim. A 'Vecchia Signora' deu-lhe a mão, prestando o apoio necessário em todo o processo de recuperação neste tempo complicado, sendo que atualmente trabalha como agente livre em Vinovo, no centro de treinos da Juventus.
"Os primeiros dias de treino foram difíceis de aguentar. Era um desastre. Eu sentia-me como se tivesse voltado a ser uma criança, aprendendo a chutar pela primeira vez. Naquele primeiro período eu não conseguia nem ter equilíbrio corretamente, mas felizmente fui em frente. A Juve é a minha segunda casa, a minha segunda família. Eles sempre fizeram com que eu me sentisse importante e mesmo neste período tão difícil estiveram presentes, dando-me um forte apoio", afirmou Muratore.
"Se um dia o meu sonho era jogar na equipa principal, agora é conseguir estar em campo, poder jogar de novo. E, sim, vejo isso cada vez mais próximo de acontecer. Vai ser a próxima etapa do meu caminho", rematou o médio italiano.
Por André Gonçalves