As balizas de Marítimo e Penafiel vão estar, amanhã à noite, sob fogo cerrado. À partida, essa é a única forma de FC Porto e Sporting lutarem pelos seus objetivos na Taça da Liga. Os portistas lideram o grupo com quatro pontos e um saldo de golos de 4-0, enquanto o dos leões, em igualdade pontual, é de 3-0. Como o critério de desempate é a diferença de golos, neste momento um golo faz... toda a diferença.
“É preciso entrar forte”, recomenda Manuel Fernandes, antigo jogador do Sporting. Uma sugestão que não faz apenas ao clube do seu coração mas que alarga ao rival FC Porto.
“As duas equipas têm de concentrar-se naquilo que devem fazer, mas é inevitável que alguém esteja com os ouvidos no que se passa no jogo do adversário para saber a quantas andam”, refere Manuel Fernandes, cuja experiência aconselha a uma “entrada no jogo determinada e com intensidade”. Mas, atenção, “sem perder a cabeça”.
Além das dificuldades naturais, é bom que se diga que os guarda-redes que dragões e leões vão encontrar pela frente não têm nos seus cadastros episódios suscetíveis de inspirar os adversários. Goleadas não costuma ser com eles.
Tendência azul
Se FC Porto e Sporting chegarem ao fim com os mesmos pontos, esta será a segunda vez na Taça da Liga que um semifinalista se qualifica pela diferença de golos. A primeira verificou-se na época passada, num grupo onde também estavam Sporting e Marítimo, mas a decisão foi entre Rio Ave e Paços de Ferreira. Ambos chegaram ao fim com seis pontos mas o Rio Ave foi 1.º classificado por um golo de diferença, apesar de ter perdido (em casa) o duelo com os pacenses.
Esse critério foi recurso para decidir dois títulos nacionais, com a curiosidade de o FC Porto ter sido campeão em ambos. Em 1958/59 foi um tento a fazer a diferença para o Benfica. Um golo de Teixeira, no último minuto do jogo em Torres Vedras, deu o campeonato ao FC Porto de Guttmann. O clube das Antas teve de esperar 19 anos para se sagrar de novo campeão, proeza que voltou a alcançar em prejuízo do Benfica mas desta vez com maior diferença de golos em relaçãoàs águias: mais 15.
Em 2009/10, o FC Porto conseguiu a vantagem de jogar uma meia-final da Taça da Liga no Dragão com o 2.º melhor classificado da fase de grupos (a Académica), depois ter somado os mesmos pontos dos estudantes que, porém, perderam no desempate por terem sofrido um golo.