A informática tomou conta da vida de todos nós. Implantou-se na maioria das actividades e não podia passar ao lado do futebol. A arbitragem também aderiu à tecnologia em devido tempo mas, dentro de campo, os árbitros continuam a ter de recorrer ao famoso bloco de notas para anotarem o que se passa nos jogos de futebol.
Num futuro próximo não terá de ser assim. Graças a uma tecnologia inventada pela Kinetical, empresa espanhola de soluções informáticas, o processo que vai da preparação do boletim de jogo ao relatório a enviar à entidade que organiza as provas, vai passar a ser muito mais fácil.
Tudo começa com a distribuição de computadores de bolso pelos árbitros, os vulgares PDA; segue-se a actualização dos dados antes de cada jogo, com as situações que lhe dizem respeito, caso do estádio, data, equipas completas, etc. Em vez de terem de anotar no bloco todas as ocorrências durante os jogos, em particular as substituições, as advertências e as expulsões, passam a fazê-lo nos novos aparelhos, o que pode não facilitar muito a vida na altura, mas será, certamente, uma boa ajuda no final.
De regresso ao balneário, o árbitro corrige a informação e faz o envio para a Liga ou Federação, dependendo da entidade organizadora. O envio pode ser feito por fax, como actualmente, ou por GPRS, sistema disponível nos telemóveis. Passa tudo a ser mais rápido e eficaz, já que a informação sobre o jogo pode, por exemplo, ser colocada imediatamente na Internet.
O sistema foi experimentado com sucesso em jogos da III Divisão espanhola, organizados pela Federação Catalã de Futebol. No total, foram mais de 120 encontros de teste, para além de três da selecção da Catalunha (um deles frente ao Brasil) e um outro na final da taça da região, disputada entre o Barcelona e o Espanyol. E de tal modo houve sucesso, que se equaciona alargar o sistema às principais competições do futebol espanhol.
Computadores portáteis
Se o "Digital Referee System" (DRS), como foi baptizado, não chegou a toda a Espanha, está rapidamente a seguir tal caminho. Enquanto não acontece, a Federação Espanhola (RFEF) avança com a informatização do sistema de arbitragem. O mais recente passo foi a atribuição de um computador portátil a cada árbitro. Apesar de continuarem a utilizar o bloco de notas, os juízes passam a introduzir todos os dados no computador, elaborando a acta e enviando tudo pela Internet.
Sistema muito fácil
O chamado "Digital Referee System" (DRS) segue passos muito precisos, que facilitam inegavelmente a tarefa aos árbitros. Após a experiência de vários meses, a Federação Catalã de Futebol fez um balanço positivo. Os árbitros também parecem satisfeitos, a avaliar por uma sondagem feita junto de quem teve a oportunidade de trabalhar com o novo equipamento.
A principal conclusão é que subsiste a unanimidade quando a pergunta visa a necessidade de usar o sistema; 93% entendem que é mais fácil elaborar o relatório final, 87% acham que se poupa muito tempo, 60% concluem que as anotações durante o jogo tornam-se mais fáceis.
Mas, afinal, como funciona exactamente o DRS? Num computador central, instalado na entidade organizadora (Liga ou Federação), está reunida toda a informação, como o calendário, as equipas, os jogadores, os estádios e as equipas de arbitragem. Em cada jornada é enviada para os PDA's a informação necessária a cada jogo.
Recebidos os dados, o árbitro está apto a iniciar o jogo; numa bola ajustada à cintura, o PDA serve para anotar todas as incidências que hão-de depois figurar no relatório de jogo. Terminado o encontro, o árbitro verifica as suas anotações, faz alterações, se necessário, e fecha o relatório, imprimindo-o para guardar uma cópia, e enviando-o em seguida, em formato digital, via GPRS, para o computador central.
Mal a informação é recebida, fica armazenada nos sistemas informáticos, ficando imediatamente disponível para a elaboração seja de classificações, de estatística, os até para disponibilizar na Internet para consulta pública.