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FIFA não paga a jogadores de clubes falidos e Sindicato apela ao bom senso de Infantino

• Foto: Vítor Chi

O Sindicato dos Jogadores fez saber que a FIFA ainda não pagou a totalidade dos montantes aprovados para os jogadores que recorreram ao FIFA Fund, referente ao quarto período de candidaturas a este mecanismo, aprovadas em setembro de 2023. 

Os sindicatos de jogadores de diferentes países confirmaram que, apesar dos pagamentos pelo organismo que tutela o futebol mundial em relação aos três primeiros períodos de candidaturas terem sido feitos, o valor referente ao quarto período ainda não foi pago. 

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O Sindicato alerta para o facto de muitos dos jogadores afetados estarem desempregados ou retirados e os montantes em causa serem considerados essenciais. A situação levou, inclusive, a que o Sindicato dos Jogadores acionasse o seu Fundo de Solidariedade para apoiar financeiramente alguns dos futebolistas afetados.  

Hélder Baldé, jogador do Atlético, da Liga 3, que recorreu ao mecanismo depois de não receber do Clube Desportivo das Aves SAD, deu conta da sua situação ao portal do Sindicato dos Jogadores:  

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"Quando estava ao serviço do Aves, na época 2019/20, fiquei sem receber o meu salário, rescindi com justa causa e pedi o apoio do Sindicato dos Jogadores. Fui informado do mecanismo de solidariedade que a FIFA criou e solicitei esse apoio. Em fevereiro deste ano a FIFA disse que iria pagar e até hoje não pagaram nem respondem aos emails que tenho enviado. Sinto-me injustiçado e espero que esta situação se resolva em breve." 

Refira-se que o FIFA Fund foi criado por acordo entre a FIFPRO e a FIFA, em 2020, para compensar os jogadores que ficaram sem poder receber os seus salários devido à insolvência ou encerramento da atividade desportiva dos respetivos clubes.  

Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores, recorreu ao portal institucional para lançar um alerta sobre a importância da regularização dos valores em dívida por parte da FIFA, para que todos os jogadores afetados fiquem com a sua situação resolvida.  

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"O Sindicato português representa 35 jogadores que tiveram a sua candidatura aprovada no quarto período do FIFA Fund, num montante global concedido de aproximadamente 234.600 euros", começou por elucidar, concretizando: "A situação é muito má, porque temos entre os jogadores retirados e no ativo. Alguns que enfrentaram, recentemente, períodos de desemprego e este montante é absolutamente essencial para a sua estabilidade financeira."

 

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"Não compreendemos porque é que após três rondas de pedidos e pagamentos efetuados num período razoável, para este quarto e último período a FIFA esteja a atrasar as transferências bancárias, sem qualquer razão para que isso aconteça", sustentou, sem deixar de apontar os indícios de represálias pela luta travada pela FIFPRO, união dos sindicatos de jogadores, no âmbito das queixas decorrentes do calendário congestionado a que os atletas estão sujeitos. "Só podemos desconfiar de pressão política, face às ações intentadas pela FIFPRO na Comissão Europeia e à recente vitória no 'caso Diarra'. É inaceitável que se tratem assim os jogadores e que os mais vulneráveis sirvam como arma de arremesso político. Mantemos o contacto com a FIFPRO (sindicato internacional de futebolistas), esperando que esta situação possa ser resolvida em breve. Temos recebido chamadas diárias dos nossos jogadores, que manifestam toda a sua frustração. É uma sensação de impotência e de que lhes criámos falsas expectativas, quando simplesmente confiámos no regulamento aprovado e publicado pela FIFA e nos procedimentos que estavam em vigor. Apelo, por isso, ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para que desbloqueie de imediato as verbas em falta. Esperamos que esta situação se resolva rapidamente", rematou.

Refira-se que, em termos globais, estão envolvidos cerca de 420 futebolistas e a verba em falta ascende a mais de 3,5 milhões de euros.

Por Mário Duarte
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