Iniciados: Guerreiros de Belas

Iniciados: Guerreiros de Belas
• Foto: PEDRO SIMÕES

“Há quatro meses, se me dissesse que estava aqui a dar uma entrevista por não ter nenhum golo sofrido, eu talvez não acreditasse. Porque não é fácil um miúdo de 14 anos ter um nível de concentração tão grande ao longo de um jogo inteiro”. Quem o diz é Filipe Martins, treinador dos iniciados do Clube Desportivo de Belas, fundado em 1944, e antigo médio que chegou à 1.ª Divisão com o E. Amadora.

Em Belas, trabalha num clube humilde como gosta de adjetivar, porque é no sentido da qualidade que utiliza o termo. Mas talvez esteja também na dose de humildade a receita do sucesso da equipa da 2.ª Divisão da AF Lisboa, que à 10.ª jornada ainda não sofreu qualquer golo e já marcou 52. Mas qual o segredo destes “Super Guerreiros”?

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Poderá estar no “nós” colocado ao início de cada resposta o arranque de cada conquista do grupo. Eles assumem o plural da pessoa, quando se pergunta a fórmula secreta dos resultados. “Dentro do campo não somos só um grupo de bons jogadores, somos uma equipa”, respondem. Os repórteres de Record estiveram com um grupo de trabalho que não se intimidou com o estado do tempo para treinar.

Debaixo de muita chuva, os aspirantes a campeões obedeceram, como guerreiros, às ordens do líder, com a convicção de quem se prepara para mais uma batalha de superação coletiva: a partida do fim de semana, frente ao Montelavarenses.

Método

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“Vamos, concentrem-se no trabalho! Esquerda, direita, vamos!”. Quem ouvisse as palavras num ato isolado poderia imaginar uma diretiva militar. Para quem observa, a descontração dos rapazes, o sentido paternalista do treinador, o sorriso do médio Ricardo – melhor marcador da equipa. A fintar o entusiasmo da defesa do Hugo, guarda-redes, até agora sem qualquer golo sofrido, vê “mais do que um clube, uma família”, diz Filipe Martins.

O atual comandante do CD Belas estreou-se há um ano como técnico da equipa dos infantis. Jorge Jesus e Jorge Paixão estão no lote dos seus professores, como antigo jogador. Hoje o papel inverteu-se. Numa fase inicial, foi futebolista profissional até aos 33 anos. A escola do futebol vai agora buscá-la aos 14 anos do Ricardo, do Hugo e do Rodrigo, este último o capitão.

Filipe destaca a inteligência emocional dos jogadores “em campo como equipa, porque, mais do que eles serem bons jogadores, o objetivo do Belas é formar bons seres humanos”. Isto sem uma disciplina rígida. “São quase como meus filhos, penso muito neles e às vezes mandam mensagens a desabafar.”

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