_
”UMA tragédia.” É desta forma que Alcindo dos Reis, presidente do Tirsense, caracteriza a quarta descida de divisão consecutiva. Passados mais de trinta anos, a equipa volta a jogar nos escalões distritais, uma situação que o líder dos jesuítas justifica com o ”sistema”.
”O Tirsense tem sido violentado e prejudicado sistematicamente nas últimas três épocas. O sistema, que, de facto, existe, quis arrumar com o Tirsense. Fomos prejudicados vergonhosamente pelas arbitragens, com coisas incríveis. Por isso, o futebol português é uma vergonha, uma coisa que não é séria”, frisou.
Visivelmente agastado com a posição em que o clube se encontra, Alcindo dos Reis volta a realçar o clima de suspeição vigente e a apontar o dedo às arbitragens. ”Os árbitros são a parte visível do iceberg. O sistema existe e peço às pessoas que estão no futebol e que não são sérias que se vão embora e não o matem. Há coisas que se dizem, mas que são difíceis de provar, mas ninguém investiga. Nem o Ministério Público nem a Polícia Judiciária.”
O tom acusador é uma tónica no discurso do presidente do Tirsense, o qual afirma ainda não perceber a quem interessa a descida do clube. No entanto, apesar de reconhecer que os jesuítas atravessam uma fase má, promete devolver o clube à I Divisão. ”Tivemos um discurso de pobreza e, se calhar, por isso entenderam que para nós era apenas mais uma descida. Mas não, o Tirsense é um clube de I Divisão e vai voltar a sê-lo. Esta terra que deu tanto ao País não merece o que nos fizeram”, sustentou.
A curto prazo, a aposta passa pelo regresso aos Nacionais, construindo uma equipa de grande nível, aproveitando o facto da situação financeira estar mais estável.
”As dívidas estão todas negociadas. Até Dezembro, parte ficam pagas e, depois, até Junho de 2001, pagaremos o restante. Temos dívidas de 25 mil contos a jogadores, que sempre foram excelentes e revelaram grande compreensão, e de setenta mil contos a um credor”, explicou Alcindo dos Reis.
INCONSTITUCIONALIDADE
O presidente do Tirsense coloca ainda em causa a constitucionalidade de algumas normas do Regulamento Disciplinar da FPF, reafirmando a intenção de as alterar.
”Movemos uma acção contra a FPF para a anulação do artigo 31 do Regulamento de Disciplina, que nos últimos tempos nos tem impedido de inscrever jogadores. É um artigo inconstitucional, que provocou grandes danos desportivos no Tirsense.”
O Governo também não é poupado por Alcindo dos Reis. O Estado português também tem culpas porque permite a vigência de uma norma institucional. Esperamos que agora nos deixem em paz”, rematou.
PEDRO ALVES