_
RECORD – Há diferenças no futebol português da atualidade quando o compara com o de há quatro anos, altura em que emigrou?
Manú – Continua mais ou menos parecido. No entanto, a principal diferença é que hoje há mais estrangeiros a atuar em Portugal, apesar de ter havido um reforço dos clubes na aposta dos jogadores da formação. É sempre positivo quando isso acontece porque, além da promoção da prata da casa, os clubes podem tirar proveito em futuras transferências.
R – Regressar era um objetivo?
M – Sim. Estive quatro anos consecutivos a jogar no estrangeiro, nos campeonatos polaco, chinês e cipriota. Nada poderia ser melhor para mim do que regressar a casa.
R – O que o levou a aceitar o convite do Vitória?
M – Nasci e cresci em Setúbal e foi no Vitória que dei os primeiros pontapés na bola. Foi também aqui que comecei a ver futebol. Quando surgiu a oportunidade nem sequer pensei duas vezes. Joguei no Vitória entre os 6 e os 12 anos e agora tenho o privilégio de representar a equipa principal. É um orgulho tremendo.
R – A experiência está a corresponder às expectativas?
M – A equipa tem muitos jogadores novos e os resultados começam agora a aparecer. A equipa está bem. Estamos no caminho certo.
R – A equipa está na 10.ª posição. Até onde poderá chegar?
M – Há condições para melhorar o 7.º lugar do ano passado. Temos um plantel de qualidade e acredito que podemos igualar essa classificação ou até ir mais além. Basta trabalharmos para isso e acreditarmos que é possível.
R – Como um dos jogadores mais experientes do plantel, sente que os mais novos veem-no como uma referência?
M – Sim, tenho plena noção disso. Não é por acaso que vários colegas, por ser mais velho e ter jogado muito tempo fora, me pedem algumas dicas.
R – Como está a ser a experiência de trabalhar com Domingos Paciência?
M – É um treinador jovem e com bons métodos de trabalho. Motiva-nos diariamente durante o treino e tem bastante qualidade.
R – Há jogadores no plantel que podem vir a dar que falar em breve?
M – Cada dia que passa tenho mais certeza disso. Há aqui vários jovens com qualidade. Se trabalharem bem e se empenharem poderão chegar longe nas suas carreiras e até chegar aos clubes grandes.
R – As taças são um objetivo?
M – O Vitória foi a primeira equipa a ganhar a Taça da Liga e, em 10 presenças na final da Taça de Portugal, conquistou três. É um clube com tradição e que luta sempre pelos troféus. Este ano não vai fugir à regra. Queremos vencer a Taça de Portugal, é essa a nossa ambição.
R – Conquistou uma Taça da Polónia. Ganhar em Portugal é uma meta?
M – Claro que sim! É um objetivo que não é só meu, mas de todos que aqui trabalham. Vamos fazer por isso.
R – O primeiro obstáculo, amanhã, é o Arouca…
M – Sabemos que não vai ser um jogo fácil, mas temos o fator casa a nosso favor. Peço aos adeptos que compareçam e nos apoiem. Com eles do nosso lado as coisas tornam-se mais fáceis.
R – Qual a estratégia para seguir em frente?
M – A receita passa por entrarmos concentrados e, quando tivermos oportunidades, procurar fazer golos. Além disso é importante não sofrer.
R – Que mensagem gostaria de deixar aos vitorianos?
M – Gostava muito que os adeptos viessem mais ao estádio. Sou do tempo em que se via o Yekini jogar no Bonfim. Nessa altura, o estádio era uma loucura. Gostava muito que esse clima voltasse. Precisamos imenso do apoio dos nossos adeptos.
R – Já foi expulso por duas vezes nesta época (Rio Ave e Penafiel), ambas por acumulação de amarelos. Como encarou esses momentos?
M – É difícil quando não podemos terminar os 90 minutos e ajudar a equipa. Nunca fui um jogador de muitas expulsões. Em ambos os casos trataram-se de lances caricatos. Senti-me injustiçado.
R – Receia que lhe seja colocado o rótulo de jogador indisciplinado?
M – Não. Já fiz várias épocas em Portugal e nunca fui violento. Foram lances que me deixaram triste porque nunca tinha acontecido ser expulso duas vezes em tão pouco tempo [1.ª e 5.ª jornadas]. As coisas vão ser diferentes.
R – Sente-se algo condicionado em campo?
M – Não. Nunca fui maldoso, mas gosto de deixar tudo em campo para ganhar os lances.
R – Qual o treinador mais marcante que já teve ao longo da carreira?
M – Todos foram marcantes, cada um à sua maneira. Aprendi muitas coisas boas com todos eles. Todos foram importantes para me tornar no jogador que sou hoje.
R – E o colega?
M – Joguei com o Rivaldo no AEK, da Grécia, e era um jogador fenomenal. Também foi um enorme prazer trabalhar com o Miccoli e o Rui Costa no Benfica. O Pedro Martins, atual treinador do Rio Ave, foi meu colega no Alverca e também foi um colega marcante.