_
É caso para dizer que o bom filho à casa torna. Dady encerrou a carreira profissional mas ainda não pendurou de vez as chuteiras. O avançado luso-cabo-verdiano, de 34 anos, regressou ao Futebol Benfica, emblema pelo qual deu os primeiros pontapés na bola, na época 1998/99. "Já sentia alguma dificuldade em jogar profissionalmente, devido a problemas físicos. Sempre soube que um dia iria voltar a casa, nem que fosse como amador. Conversei com o presidente, que me ofereceu um projeto interessante: jogar até quando as pernas me deixarem e, no futuro, ter a oportunidade de trabalhar com os mais jovens. Sempre fui bem tratado no Fofó", sublinhou Dady a Record.
O objetivo do Futebol Benfica, 7.º classificado na Divisão de Honra da AF Lisboa, passa por alcançar os lugares de promoção, meta onde o avançado também se revê. Mas é o próprio que reconhece que poderá ser uma mais-valia também fora das quatro linhas: "Não vim aqui só para passar tempo... Quero ser uma espécie de treinador dentro de campo e dar uso à experiência que adquiri ao longo dos anos no futebol profissional."
Ainda que feliz com a oportunidade de poder voltar à casa de partida, Dady reconhece que houve alguns momentos, durante a sua carreira, em que não tomou a decisão mais indicada. "Quando saí do Belenenses para o Osasuna sabia que financeiramente seria muito bom para a minha família, mas não fiquei satisfeito com a forma como se fez a transição. Mudou a minha vida mas podia ter sido feita de outra forma. Mas o maior erro da minha carreira deu-se quando abdiquei do último ano de contrato com o Osasuna e assinei pelo Bucaspor. Desportivamente foi uma má experiência", admite.
Também o técnico do Futebol Benfica, José Carlos Mateus, vê o avançado como "um reforço de peso, com um espírito e humildade enormes", sublinhando que "é a melhor coisa que podia acontecer neste momento ao clube".
A escolha por Cabo Verde
Dady destacou-se no futebol português ao serviço do Belenenses, onde foi o 2.º melhor marcador do campeonato na época 2006/07, altura em que o interesse da Seleção portuguesa subiu de tom. No entanto, a decisão de representar Cabo Verde já estava tomada. "Fiz essa opção aos 24 anos, quando ainda estava no Estoril, na 2.ª Liga. Na minha última época ao serviço do Belenenses soube que houve a possibilidade de Portugal me convocar, por interesse de Scolari, mas já tinha decidido. Foi tudo muito rápido, não imaginava que chegaria tão depressa à 1.ª Liga", reconhece.
A um passo de chegar ao FC Porto
A carreira do mais recente reforço do Futebol Benfica fez-se, em grande parte, na zona de Lisboa, onde se assinalam as passagens por Sporting (formação), Odivelas, Estoril, Belenenses e Atlético. Antes da primeira experiência no estrangeiro, ao serviço do Osasuna (Espanha), Dady revela que esteve perto de assinar pelo FC Porto. "Entre os grandes, foi a única equipa que me quis realmente. Ofereceram uma quantia, na minha 2.ª época no Belenenses, mas os valores não eram os pretendidos. Acabei por ir para Espanha, o que ajudou financeiramente o Belenenses. Tive a oportunidade de jogar contra alguns dos melhores do Mundo, o que foi uma experiência gratificante. E, claro, o mais importante é o facto de ter mudado a vida da minha família."