_
O Boavista filiou-se na Associação de Futebol do Porto para a época 2026/27, apesar de poder encerrar a atividade em breve, afirmou esta terça-feira o presidente do organismo, sem especificar em que escalões o clube portuense pode competir.
"O Boavista já tem a filiação assegurada como clube. Não posso responder sobre os escalões em que participará, porque apenas se filiou. As restantes questões dizem respeito a temas técnico-jurídicos que a associação não domina", salientou José Manuel Neves, em declarações à agência Lusa, à margem da cerimónia de assinatura de contrato de parceria entre a AF Porto e uma empresa multinacional de artigos desportivos, em Matosinhos.
Na quarta-feira, a administradora de insolvência anunciou que o Boavista encerraria a atividade até ao fim de julho, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube da verba para suportar as despesas correntes em junho, numa decisão que incidia em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades, e que já tinha estado perto de suceder algumas vezes desde dezembro de 2025.
A entrega das chaves do Estádio do Bessa e de espaços adjacentes, livres de pessoas e bens, está prevista até 31 de julho, mas o movimento 'Salvar o Boavista' angariou cerca de 50.000 euros nos últimos dias e continua a aceitar donativos para tentar evitar o encerramento do clube, fundado em 1903 e detentor de nove troféus nacionais no futebol sénior masculino, apenas atrás de Benfica, FC Porto e Sporting.
"Nem tenho comentários, porque a tristeza é tão grande. O Boavista é um clube centenário, que tanto fez na formação de homens e atletas. Infelizmente, há instituições que chegam a este nível. O que podemos fazer? Estar ao lado do nosso filiado, ajudá-lo no que pudermos e acompanhá-lo se as suas camadas jovens forem inscritas", reconheceu José Manuel Neves, líder da maior associação distrital de futebol do país.
Perante a mobilização de associados, adeptos e encarregados de educação dos atletas na angariação da verba necessária à retoma da atividade do Boavista, a direção do clube apresentou um requerimento ao tribunal para obter a validação da administradora de insolvência e poder reabrir as instalações do Estádio do Bessa, mas ainda não teve resposta.
Na quinta-feira, em declarações à agência Lusa, o presidente do Boavista, Rui Garrido Pereira, disse estar focado na viabilização do plano de recuperação das 'panteras', que foi submetido no tribunal dois dias antes.
O Boavista teve a sua liquidação aprovada em setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), mas, três meses depois, chegou a acordo com os credores em tribunal para manter a atividade, comprometendo-se a cobrir o défice corrente da sua exploração.
Essa decisão foi tomada quando o clube já tinha abdicado de competir no quarto e último escalão da AF Porto, sem qualquer jogo realizado em 2025/26, época na qual a SAD 'axadrezada' deveria disputar a II Liga, mas deixou de ter equipa profissional e foi relegada por via administrativa para a principal divisão distrital, devido a problemas financeiros.
Despromovida ao segundo escalão portuense a seis jornadas do fim e com quatro impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA, a Boavista SAD alinhou como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, que está inutilizado há mais de um ano, e viu a liquidação aprovada em maio, estando a trabalhar num novo plano de recuperação.
"A análise técnica dos documentos está em curso e tudo indica que a SAD também se filie na AF Porto. Agora, não sei em que escalões participará", acrescentou José Manuel Neves, lembrando que a sociedade 'axadrezada' administra os juniores e seniores do Boavista, cabendo ao clube a gestão das restantes equipas jovens.
A Boavista SAD tem 10% do capital social na posse do clube e desceu à II Liga em maio de 2025, depois de cumprir 11 épocas seguidas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, devido ao título conquistado em 2000/01.
Por Lusa