Petit alcança, na receção ao Farense, o seu 350.º jogo como treinador principal, a maioria dos quais ao serviço do Boavista, na certeza que este trajeto, que também o catapultou para o pódio dos responsáveis técnicos com mais jogos disputados na Liga Betclic, serve de argumento para o líder axadrezado colocar no horizonte a ideia de gestão de um projeto mais audaz.
"Sinto-me como se tivesse começado agora. Foi aqui que comecei como treinador-jogador. Não era coisa que ambicionava, foi fruto das circunstâncias e nunca tive muito tempo para trabalhar pormenores ou processos de jogo. Foi sempre projecto atrás de projecto de permanência e sempre com os objectivos alcançados, pelo que é uma marca que me deixa satisfeito. Acho que é bom chegar aos 47 anos com 350 jogos como treinador, mas tenho vontade de acrescentar mais 350 jogos", referiu Petit, garantindo-se realizado no Bessa, mas também com bagagem para dar expressão a outros voos: "O meu trabalho tem sido salvar equipas, mas nos últimos anos tenho vindo a tentar modificar esses projetos. Na equipa onde estive anteriormente perdemos a Europa nos últimos jogos e no Boavista há muito a ideia de valorizar ativos. Transformar jogadores desconhecidos em elementos preparados para provas mais competitivas. Vou fazendo o meu trabalho com duas paixões. Ser treinador e poder representar um clube que me acolheu aos nove anos. Faço o meu caminho e, quando tiver uma oportunidade, se a conseguir, estarei pronto para as exigências por força de toda a experiência que adquiri ao longo do caminho".
Recorde-se que Petit soma 261 partidas como treinador no principal escalão do nosso futebol, fasquia que só é superada por José Mota (419 jogos), curiosamente o homólogo que lidera o adversário de amanhã, e Sérgio Conceição (342 jogos).
Já sobre a partida frente aos algarvios, o líder axadrezado não teve problemas em assumir a sequência pouco produtiva do Boavista e a ideia de quebrar o hiato de triunfos frente ao que apelidou de "um Farense muito bem organizado".
"Sabemos o momento em que estamos. Não éramos os melhores quando estávamos a vencer, nem agora somos os piores. É uma fase menos boa e a solução é trabalhar da mesma forma. Compreendo a desilusão, mas garanto que não é por falta de atitude ou compromisso. Podia arranjar desculpas com ausências ou problemas, mas o meu papel é arranjar soluções e posso prometer que quem jogar vai dignificar esta camisola. Apresenta-se um adversário que está numa fase muito positiva, com golo, dinâmicas bem delineadas e com um treinador bastante experiente de quem sou amigo e gosto muito de conversar. Será complicado, como todos, mas temos o compromisso de lutar ao máximo, perante o apoio dos nossos adeptos, para podermos voltar as vitórias", afiançou Petit.