Frederico Varandas tomou a dianteira na apresentação de Paulo Fonseca, revelando que o treinador apresentado era... alguém com quem mantinha não só contacto há um ano - apenas para falar de futebol -, mas também com quem sentiu, sempre, uma conexão especial. Daí, explicou o dirigente de 47 anos, ter entrado em contacto com ele após as derrotas contra LASK (2-3) e Académico Viseu (1-2), comunicando, após a visita a Rio Maior, para defrontar o Casa Pia, a Rui Borges a substituição no comando técnico. Defendeu, assume, o mirandelense até ao limite, mas a gestão dos desaires falou mais alto. Confira abaixo tudo o que disse Varandas.
Agradecimentos: "Uma palavra para o míster Rui Borges e a sua equipa técnica, que fizeram um excelente trabalho; outra para Tiago Fernandes e a sua equipa, que tiveram a ingrata missão de liderar a equipa como tiveram de o fazer."
Sobre Rui Borges: "É de inteira justiça falar de Rui Borges e o porquê da decisão: fico supreendido - talvez não - quando se diz que algo não correu tão bem... Podia ir do medíocre ao muito bom para avaliar a prestação dele e da sua equipa. Mas não foram medíocres, satisfatórios ou bons. Foram muito bons! Conseguiram o bicampeonato, a dobradinha, um percurso histórico na Champions, uma média de pontos superior às de Jesus e Amorim no campeonato... Parte um grande treinador, mas também um grande homem, rodeado de grandes homens - homens sérios e homens bons."
Timing da decisão: "Percebo o porquê da decisão ser agora e não há 3, 4 meses... Perguntaram-me há 1 o porquê de não o ter despedido, na altura por três empates na Liga. Dissemos que não tomamos decisões exclusivas em resultados. Essas perdas de pontos deveram-se a fatores extraordinários, que não controlámos... Mas nesses jogos, fomos melhores e merecíamos ter vencido. Recentemente, tivemos uma semana com duas derrotas, contra LASK e Ac. Viseu, mas aí não fomos superiores... E isso - a gestão interna dessas derrota - levaram-me a tomar a decisão de não continuar o ciclo Rui Borges. Faz parte e é um dos fardos de quem lidera um clube, tomar decisões que magoam quem gostamos. Não tenho problema em assumir que foi uma delas. Mas avaliando que a confiança que preciso de ter no projeto, a melhor decisão era esta."
Eis Paulo Fonseca: "Conheço-o há mais de um ano, fomos falando sobre o que é futebol e há, entre nós, uma conexão nesse sentido, além da forma de estar e de ser. Também posso revelar que tinha o sonho de trabalhar com ele. Mas ele sempre foi claro - não queria voltar a Portugal. Ficou sempre muito claro que queria continuar no top-5. Nunca mostrou a mínima abertura de voltar.
"Após o jogo com o Ac. Viseu, no dia seguinte, falei com ele com um conteúdo diferente. Lancei o desafio de assumir a liderança e, nos dias seguintes, percebi uma abertura por parte de Paulo Fonseca, mesmo que embrionária. Tendo tomado a decisão, após o Ac. Viseu, jamais a tomaria sem ter a certeza de que teria um treinador desta valia."
"É um treinador cujo currículo fala por isso. Tem craveira e dimensão europeia, ganhou vários títulos e é um orgulho podermos atrair um treinador como ele."
Mercado de verão foi apenas a pensar em Rui Borges? "O que foi feito, foi 100% em consonância com eles. Por eles, aliás, tinha sido maior. Não que concordemos, mas porque não foi possível por questões de mercado."
"A saída dos jogadores, a tal revolução, não foi opcional. Era sim ou sim. Estamos a falar de um leque de jogadores com 6,5 4 anos de Sporting, ligas, Champions... Chega a um momento - e eu percebo o lado romântico - em que é impossível reter determinados jogadores. Quando têm o desejo de ir embora, com contratos melhores do que têm aqui... Vou dizer que não, que vão ficar? Não iam render o mesmo. Não me desgasto com o que não posso mudar. Tivemos um grande sucesso com esse ciclo e agora temos um plantel com grande potencial. Tornámos este clube habituado a vencer. Tivemos um ciclo vitorioso com Amorim, vitorioso com Rui Borges e vamos ter um ciclo muito vitorioso com Paulo Fonseca."
Como comunicou a Rui Borges? "Sei que Rui Borges sabe disto: não vai passar por um clube que o tratou com a dignidade que o tratámos aqui. A seguir ao jogo do Casa Pia disse-lhe tudo. É uma pessoa perspicaz. Percebeu, a seguir ao jogo com o Ac. Viseu, mesmo sem falarmos, que algo se ia passar.
Mas a confiança era assim tão frágil? "Não. Eu durante ano e meio fui questionado porque o mantinha e agora perguntam-me porque é que o despedi. O Sporting de Rui Borges sempre foi dominador, superior aos seus adversários. Numa semana, tivemos dois jogos onde não fomos e a gestão interna foi determinante na minha decisão. Os pormenores ficam entre mim e o míster Rui Borges.
Não seria melhor ter comunicado antes do Casa Pia? "Segunda-feira, após o Académico, lancei o convite a Paulo Fonseca. A seguir ao jogo do Casa Pia não tinha o treinador fechado. O Sporting está acima de tudo e achei que manter Rui Borges era o melhor para vencer o Casa Pia."
É o principal responsável pela situação desportiva do Sporting? "O presidente do Sporting é responsável por tudo o que se passou aqui desde 2018. Agora avalie o que era o Sporting antes e agora...
Sente que Rui Borges se sentiu traído? Convidou-o para ir a Londres? "Li sobre faltas de respeito... O único sítio, ou melhor, as únicas pessoas que o trataram com respeito, desde 2024, fomos nós. A começar pela imprensa. Chega a ser caricato ouvir que ele foi tratado com falta de respeito. O único local onde ele foi tratado com respeito e dignidade foi aqui. Rui Borges, hoje, está triste, mas não está revoltado nem magoado com o presidente do Sporting. Defendi-o como nunca ninguém o fez."
"Coloquei em cima da mesa dois cenários: quer interromper o ciclo ou quer ir a Londres? Eu queria muito que fosse, porque queria que tivesse mais uma página de ouro no Sporting, o treinador do Sporting com mais vitórias na Champions. Desafiei-o. Não declinou. Disse que não estava para aí virado, pensou umas horas e disse que não."
Mais Paulo Fonseca: "A verdade é uma: temos 9 pontos de atraso para o FC Porto e 4 para o Benfica: obviamente que estamos a falar de uma luta a três. É fácil a missão? Não. Mas faltam muitas jornadas. Sabemos bem a qualidade daquele plantel, o que quer e temos muita, muita confiança na qualidade técnica desta equipa."
A Direção cai com Fonseca se não tiver sucesso? "Há uma coisa que demorou muito a construir... Não é fácil caírem treinadores com esta direção, esse tempo já lá vai. E direções caírem por treinadores - isso, meu amigo, já nem me lembro deste tempo. A minha missão é dirigir, a missão destes senhores é treinar. Ficaria muito surpreendido se não o tivesse até final do mandato."