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O movimento 'Unidos pelo Boavista' entregou esta quinta-feira um requerimento, com 270 assinaturas, a solicitar uma assembleia geral extraordinária, visando a destituição da Direção e a nomeação de uma Comissão Administrativa para gerir o clube até novas eleições.
O documento, dirigido ao presidente da Mesa da Assembleia Geral ao abrigo dos estatutos do clube, fundamenta o pedido de saída dos órgãos sociais com a "impossibilidade superveniente" do exercício de funções.
Segundo os subscritores, a continuidade da Direção tornou-se inviável após a decisão da Administradora de Insolvência, em 18 de fevereiro de 2026, de cessar "a coadjuvação" (colaboração) da estrutura diretiva na gestão do estabelecimento.
O movimento aponta ainda a "perda de confiança" por parte da administradora de insolvência e da Comissão de Credores como fundamentos para a destituição.
No requerimento, é solicitada à mesa da Assembleia Geral a validação das assinaturas no prazo de cinco dias úteis e a convocação da assembleia geral extraordinária no prazo de oito dias úteis após o depósito da quantia exigida pelos estatutos.
Na ordem de trabalhos proposta, além da saída da direção, os sócios propõem a nomeação de uma comissão administrativa transitória, que assegure a gestão corrente do clube até à realização de novas eleições para os órgãos sociais.
Os subscritores pretendem igualmente atribuir a esta comissão poderes para representar institucionalmente o Boavista junto da administradora de insolvência, da comissão de credores e do tribunal, com vista à viabilização de uma solução de recuperação ou continuidade da atividade do clube.
No documento, subscrito até às 15:20 por 274 sócios, é ainda pedida a definição de um prazo para a convocação de eleições.
A iniciativa surge num contexto de forte instabilidade, marcado pelo anúncio do leilão do Estádio do Bessa e do complexo desportivo adjacente, agendado para a próxima semana, com um valor base global de cerca de 38 milhões de euros.
O leilão ocorre num momento de "morte lenta" da instituição, que acumula dívidas superiores a 150 milhões de euros.
A direção, liderada por Rui Garrido Pereira, manifestou-se surpreendida com o avanço do processo, sublinhando que decorriam negociações para encontrar soluções de viabilização, e garantiu que tudo fará para travar a venda, apesar de reconhecer que a alienação de ativos pode ocorrer em fase de liquidação.
Também a claque Panteras Negras anunciou a intenção de recorrer aos tribunais para tentar suspender o leilão e declarar a nulidade do processo, classificando a eventual perda do património como um "desfecho catastrófico".
Em paralelo, a SAD do clube, liderada por Fary Faye, assegurou estar a acompanhar a situação e reiterou o compromisso com a defesa dos interesses do Boavista e a continuidade da sua atividade.
O estádio, sem utilização desde maio de 2025 por impedimento das autoridades, integra um complexo com cerca de 78 mil metros quadrados de área construída.
O Boavista, campeão nacional em 2000/01, enfrenta atualmente uma das fases mais críticas da sua história, após a descida competitiva e o agravamento da situação financeira.
Por Lusa