Albertino pintou dois lados do dérbi

Albertino pintou dois lados do dérbi

Com o dérbi de amanhã em pano de fundo, fomos até ao atelier de Albertino, ex-jogador de Boavista e FC Porto, para ouvir uma história de vida que, como o próprio admitiu, dava um livro. "Já me propuseram escrever, mas eu sou mais de pintar", referiu o antigo avançado, agora com 72 anos, que sempre teve uma relação próxima com a pintura, área à qual se dedica a tempo inteiro há mais de 30 anos. Antes disso, brilhou nos relvados com as camisolas dos dois maiores clubes da cidade Invicta após ter dado nas vistas no Leixões.

"Fiz duas épocas muito boas e despertei o interesse de Benfica, FC Porto e Sporting. O Leixões pedia 2 mil contos para me vender e andaram os três a emperrar até que chegou o Major Valentim Loureiro e arrasou com eles", contou Albertino, lembrando que a opção pelo Boavista se deveu em muito à presença de Pedroto no banco: "O Mestre teve muita influência, pena que três meses depois de eu ter chegado ele mudou-se para o FC Porto. Mas fiz o meu caminho e fui muito feliz no Boavista. Cheguei a internacional e conquistei títulos."

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E, ao fim de três anos, o telefone tocou. Era Pinto da Costa. "Queremos que venhas para o FC Porto. Tens contrato com o Boavista? Não faz mal, a gente paga", disse o ainda líder dos dragões. "O Major é que não achou piada: ‘És inegociável’, disse-me. Eu disse que só ficava de corpo, porque a alma já estava no FC Porto e lá chegámos a um acordo."

Par com Cubillas, preço de Eusébio

Antes de assinar com o Boavista, Albertino foi fazer um estágio de pré-época pelo FC Porto ao Peru para ver se era tão bom como parecia. "Fizemos quatro jogos e fui o segundo melhor marcador. Arrasei! E o Cubillas disse-me que eu era jogador para o FC Porto, mas depois o negócio não avançou", recordou de uma altura em que também esteve a um passo do Benfica: "Depois de saberem quanto pedia o Leixões e quanto pedia eu, disseram que era muito caro, que ia ficar ao preço do Eusébio. Estavam era a pagar pouco ao Eusébio!"

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Acabou no Bessa e foi o responsável por Pinto da Costa assumir o futebol do FC Porto: "Foram gozados porque o Boavista os comeu e Pinto da Costa disse: ‘Largos dias têm 100 anos’. Passados três anos foi-me buscar."

Deu origem à Supertaça

A transferência de Albertino do Boavista para o FC Porto, em 1979, implicou o pagamento de uma verba, a mudança de Óscar do Bessa para as Antas e dois jogos amigáveis em que as receitas ficaram para os axadrezados. "Queriam chamar-lhe Taça Amizade, mas o Pedroto não gostou do nome. Foi o meu primeiro jogo pelo FC Porto e o Boavista venceu nas Antas. Calhou ser o campeão em título contra o vencedor da Taça e foi assim que nasceu a Supertaça que agora conhecemos. O Boavista conta-a no seu historial. E muito bem", lembrou.

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Por José Miguel Machado
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