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O artigo da revista britânica ‘FourFourTwo’, apoiado em Inteligência Artificial, onde são detalhados os próximos 20 treinadores do Chelsea, deixou-nos invejosos. Foi por isso que pegámos no nosso algoritmo, nos três grandes do futebol português e tentámos um exercício semelhante ao dos colegas ingleses.
Resumidamente, pedimos à IA para nos revelar quais serão os treinadores de Benfica, FC Porto e Sporting no espaço temporal entre 2026 e 2066. O artigo da revista inglesa ia até 2071, por isso apostámos numa façanha semelhante, tentando entender o que vai suceder na principal liga de Portugal nas próximas quarenta décadas. E podemos garantir que foi uma diversão pegada ali a partir de 2040. É por volta dessa altura que o algoritmo fica sem treinadores atuais para lançar, tendo de inventar futebolistas atuais que nessa altura poderão ter saltado para o banco. De resto, no trabalho da FourFourTwo, a parte mais risível é a aparição de Cole Palmer em 2057…
Encontrámos rostos conhecidos, vimos e revimos demasiadas vezes Ruben Amorim… e João Pereira, percebemos qual o grande português que vai ter pela primeira vez uma mulher ao leme de uma equipa masculina e até vimos Vítor Bruno regressar ao Dragão... sem calções. E antes que acusem o nosso algoritmo de consumir substâncias proibidas, vamos aos dados.
Começamos na casa do campeão nacional e com uma lista… interessante e inteiramente elaborada pela Inteligência Artificial (piadinhas incluídas).
FC Porto
2026–2029 · Francesco Farioli
Já está no cargo. Parte de uma posição interessante: treinador de perfil moderno, com uma abordagem tática e metodológica que pode ser valorizada pelo clube. O horizonte até 2029 é a minha projeção, não uma indicação contratual.
2029–2032 · Vítor Bruno, regresso improvável
Uma escolha provocadora. Já conhece o contexto portista, mas teria de reconstruir a reputação e demonstrar resultados para voltar a ser uma opção credível. Incluo-o como hipótese narrativa, não como favorito.
2031–2035 · Sérgio Conceição, terceiro ato
Um regresso de um treinador com uma ligação competitiva forte ao clube seria perfeitamente compatível com a história do futebol. O obstáculo é simples: a carreira pode levá-lo para outros caminhos, e ninguém sabe como estará o futebol dentro de uma década.
2034–2038 · André Villas-Boas, regresso ao banco
Uma hipótese particularmente improvável, considerando o seu percurso como dirigente. Mas, num exercício que se estende por 40 anos, um regresso à função de treinador seria uma reviravolta interessante.
2038–2041 · Pepe, o sucessor da escola portista
Apostaria num treinador português ou estrangeiro que assimile a exigência competitiva do clube, a capacidade de vender e reconstruir plantéis e uma forte aposta em jogadores jovens.
Benfica
2026–2030 · Marco Silva
Já está no cargo. A minha aposta para o ciclo atual. Conhece o futebol português, tem experiência internacional e encaixa no perfil de treinador que o Benfica pode querer para construir uma equipa competitiva sem depender exclusivamente do mercado de treinadores de elite.
2030–2033 · Rúben Amorim
Aposta forte, mas improvável no curto prazo. Um regresso ao futebol português, depois de uma carreira internacional, seria uma história irresistível. O Benfica seria uma possibilidade narrativa, embora o passado leonino tornasse esta contratação explosiva.
2033–2036 · Abel Ferreira
O regresso a Portugal de um treinador português com grande experiência internacional seria plausível. Imagino-o como um candidato a um projeto que aposte forte na competitividade, exigência e cultura de vitória.
2036–2040 · João Pereira
Uma aposta especulativa na evolução de uma geração de antigos jogadores para treinadores de primeira linha. Não é uma previsão de que chegará ao Benfica, mas uma hipótese de percurso profissional.
2040–2042 · José Mourinho, regresso final?
Sim, estou a fazer batota com a cronologia. Mas imagina o Mourinho a regressar para um último capítulo na Luz, já numa fase de carreira em que o legado pesaria tanto como os títulos. É uma aposta romântica, não biológica: em 2040 terá 77 anos.
2042–2045 · Bruno Lage e a geração dos treinadores de dados
Aqui arrisco uma previsão arrojada: Bruno Lage. Um treinador formado dentro da estrutura do Benfica, com experiência nas equipas jovens e domínio de análise de dados, desenvolvimento individual e gestão de plantéis globais.
Sporting
2026–2029 · Rui Borges
Já está no cargo. Tem contrato até 2028, depois da renovação anunciada em maio de 2026. Se mantiver os resultados e a evolução coletiva, pode prolongar o ciclo. O prazo que indico é apenas uma hipótese.
2029–2033 · Rúben Amorim, segunda passagem
Se tiver sucesso no estrangeiro, o Sporting poderá representar o regresso natural a um projeto onde já deixou uma marca histórica. Para mim, é uma das narrativas mais plausíveis de toda a lista.
2032–2036 · João Pereira
A hipótese de um antigo jogador da casa regressar mais maduro, depois de consolidar a carreira de treinador. O Sporting tem tradição de apostar no conhecimento interno, mas terá de haver resultados para justificar a escolha.
2036–2039 · Paulo Bento
Mais um regresso a casa. Um treinador que chegaria a Alvalade com tremenda experiência acumulada, já como uma espécie de ‘senador’ leonino.
2039–2042 · Pedro Gonçalves ‘Pote’
Esta é uma aposta de longo prazo na transição de jogador para treinador. Não há aqui uma carreira de técnico garantida; é precisamente o tipo de hipótese que torna o exercício divertido.
2042–2045 · Bruno Fernandes
Imagino um treinador que tenha passado pela formação leonina, compreenda o desenvolvimento de jovens e consiga integrar a academia com contratações cirúrgicas.
Mulheres ao poder
Para chegar às listas finais de FC Porto, Benfica e Sporting, estabelecemos diversas ‘conversas’ com o algoritmo, de forma a entregar todos os ‘imputs’ e balizar assim o nosso projeto.
Cursiosamente, tanto no Sporting como no Benfica, a Inteligência Artificial marcou a temporada 2048/49 como a primeira em que uma mulher poderá assumir as rédeas dos dois clubes de Lisboa.
Um cenário que atualmente poderá parecer demasiado sonhador, tendo em conta as características do futebol no nosso país, mas não nos podemos esquecer que as duas treinadores apenas chegarão aos bancos da Luz e Alvalade dentro de mais de 20 anos. Até lá, como povo, teremos certamente maturidade para abraçar esta possibilidade.
Por João Seixas