Havia no seu perfil de lutador os traços empolgantes que o aproximavam do terceiro anel, da alma benfiquista que se revia no estilo de alguém que deixava tudo de si em campo. Álvaro era um lateral que, se fosse preciso, punha a vida em risco em cada lance que disputava. Claro que era duro, mas porque sabia utilizar o corpo e ganhava posição facilmente não precisava de cometer as grosserias próprias dos defesas.
Emoções à parte, quando estava em forma era um jogador interessantíssimo, que subia bem pela faixa lateral e, apesar de não ter as soluções técnicas de um extremo, sabia manter a circulação da bola. Entre 1981 e 1990 vestiu a camisola do Benfica em 177 jogos a contar para a I Divisão, nos quais marcou seis golos. Jogou 20 vezes na selecção nacional e foi titular indiscutível no Europeu de 1984 e no Mundial de 1986, os grandes momentos da sua geração.
A ala esquerda com Chalana
Eriksson demorou a confiar nas qualidades de um jogador jovem e inexperiente. Mas em 1983/84 desfez as dúvidas e apostou definitivamente numa ala esquerda que entraria no imaginário desportivo do País: Álvaro e Chalana. A expressão máxima do entendimento entre ambos, principalmente na exuberância ofensiva, aconteceu no Euro-84, quando um foi um dos laterais-esquerdos em maior evidência e o outro só foi superado em toda a competição pelo talento de Platini.