A SAD do Benfica está apostada em fazer do meio-campo um sector de luxo. Nesse sentido, foram contratados Djuricic, Sulejmani e Markovic, soluções ofensivas para a intermediária. Os sérvios juntam-se aos futebolistas que transitam da temporada passada.
Os encarnados já garantiram estes três reforços, mas sabem que há elementos do plantel muito apetecíveis e que estão na mira dos tubarões europeus – são os casos de Matic, Salvio e Gaitán. No entanto, Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus estão determinados em segurar o sérvio e El Toto, admitindo abrir mão do camisola 20.
Seja como for, os responsáveis benfiquistas já acautelaram possíveis saídas. No fundo, à imagem do que tem acontecido nos últimos quatro anos, ou seja, desde que o técnico assumiu o comando da equipa. As vendas milionárias de Javi García, Di María, Ramires, Witsel e Bruno César não tiveram prejuízo desportivo. “O Benfica tem um meio-campo de luxo”, sustenta José Augusto, 76 anos e bicampeão europeu pelo Benfica na década de 60. Carlos Manuel, antigo médio de 55 anos, é mais comedido: “Não direi que o Benfica tem meio-campo de luxo, mas, para a realidade do nosso país, é muito bom e forte.” Agraciado com Record de Ouro, José Augusto sublinha uma lacuna: “É mais forte a atacar do que a defender, o que provoca, por vezes, situações preocupantes nos contra-ataques dos adversários.”
Transição
O Benfica, como nota José Augusto, “não pode deixar de vender” e os passes dos principais médios transferidos nos últimos anos renderam 117,5 milhões de euros, mais do triplo do que custaram. Ainda assim, a qualidade não foi colocada em causa. “Sem dúvida alguma que o Benfica possui um meio-campo de qualidade. Isto só mostra que tem escolhido bem. Hoje em dia, há mais tempo para ver jogadores, analisar e recolher informações”, sustenta Carlos Manuel.
O autor do golo que valeu a qualificação de Portugal para o Mundial do México, em 1986, dá um exemplo concreto. “O Matic é muito forte nos processos defensivo e ofensivo. Já o Javi García era menos forte no defensivo. São dois jogadores diferentes. Com o espanhol, havia outros elementos com mais liberdade de ação. Com Matic, o Benfica ganha na transição defesa/ataque. E o Enzo, não tendo a qualidade de um verdadeiro número 10, que é um lugar especial, mostra vontade, querer e garra, o que ajuda muito Matic.”