O árbitro francês François Letexier, que apitou o jogo entre o Benfica e o Real Madrid da 1.ª mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Champions e no qual ocorreu o caso entre Prestianni e Vinícius, quebrou o silêncio sobre a forma como geriu o incidente no Estádio da Luz.
“Acho que tornei a situação o mais clara possível. É um momento muito particular. É um momento em que não temos todas as informações. Temos de decidir sem dispor de todos os elementos. Neste tipo de situações, o mais importante é recolher o máximo de informações possível e, sobretudo, tomar precauções. Essa é a minha prioridade”, explicou à RMC.
Letexier admitiu que não quis tomar uma decisão precipitada: “Quando um jogador vem dizer-me que foi alvo de insultos racistas que eu próprio não testemunhei, tenho de ter em conta aquilo que ele me diz, mas não posso tomar uma decisão apenas com base nisso, o que me parece legítimo”, desenvolveu.
Num segundo momento, François Letexier teve ainda de dedicar alguns instantes a explicar o protocolo da UEFA para estes casos a todos os intervenientes do jogo. “É preciso oficializar o momento, torná-lo claro aos olhos de todos e explicar aos diferentes intervenientes que o facto de eu não ter visto nem ouvido o incidente me impede de tomar uma decisão disciplinar”, justificou-se. “Foi assim que tentei gerir o incidente”.
“Tenho a impressão de que os responsáveis da UEFA ficaram satisfeitos com a minha forma de gerir o incidente”, confessou. “Também tenho a sensação de que o mundo do futebol percebeu bastante bem a situação. No fundo, o árbitro é um elemento externo neste tipo de contexto. Penso que tornei a situação o mais clara possível. Agora, se pudesse evitar ter de gerir este tipo de incidente e se este tipo de comportamento pudesse ser evitado, passaríamos todos muito bem sem isso”, concluiu o árbitro.