Beto sempre foi um futebolista que acreditou nas capacidades e isso levou-o à Europa, nomeadamente ao Benfica, onde ficou célebre pelo golo apontado pelas águias ao Manchester United em 2005/06, que ajudou a carimbar a passagem para os oitavos-de-final da Champions League. Antes disso, o antigo médio, hoje com 43 anos e já retirado do futebol, até desanimou e deixou o desporto-rei... por três dias.
"Apenas desisti uma vez como jogador, fi-lo durante três dias quando fui trabalhar para uma fábrica de sandálias. Trabalhei quinta-feira, sexta-feira e sábado em Campinas. Quando chegou o domingo, o supervisor da fábrica mandou-me trabalhar mas eu disse que não iria porque ia voltar a jogar futebol. Desisti durante três dias e continuei a vida como jogador", explicou em declarações num direto no Instagram com o jornalista Lucas Nascimento. Do campo pelado no estado de Pernambuco a Portugal, o tempo passou rápido mas lamenta que o pai não o tenha visto a brilhar na carreira. Ele que em conjunto com a mãe fizeram "uma grande festa". "O dinheiro que ia ganhar no P. Ferreira não conseguiria fazê-lo na minha vida toda no Brasil", começou por vincar.
"Foi no ano em que assinei contrato com o Benfica que o meu pai faleceu. Não me viu jogar numa grande equipa. Quando é algo de Deus temos de aceitar. Sempre estive de cabeça levantada. Sabia que tinha de ajudar a minha mãe e os meus irmãos. Até hoje continuo a mesma pessoa simples e humilde. Tive a oportunidade de me naturalizar português e tenho dupla nacionalidade. Poderia estar a viver em Portugal mas voltei para junto da minha família. Quero agora lançar-me num projeto que é procurar jovens valores no futebol no nordeste brasileiro todo para depois levá-lo para a Europa. Vou começar a recrutar jovens promessas para o Benfica, para o P. Ferreira e futebol da Suíça e da Grécia", declarou Beto, determinado.
Dos tempos de jogador, o antigo médio de Benfica, P. Ferreira ou Beira-Mar recordou que poderia ter acabado no FC Porto antes de assinar pelas águias, o "clube da paixão e dos adeptos". Mas a vida não foi fácil.
"Quando lá cheguei, ninguém acreditava no meu futebol. Tinha vindo de um clube que tinha descido de divisão e os media e os adeptos diziam que não tinha condições de jogar num grande clube. Demonstrei que não era assim, tinha futebol para jogar em qualquer clube. Pensaram errado. Fiz de tudo para que pensassem assim. Trabalhei duro para ser titular. Fui titular num ano e no ano seguinte o treinador mudou e deixei de ser já que o Fernando Santos trouxe um jogador da sua confiança, o Katsouranis. O Koeman apostou no meu futebol e gostava da minha dedicação. Quando a equipa perdia, os media perguntavam porque é que eu jogava. Ele respondeu uma vez: 'Se houvesse 11 Betos, o Benfica não perdia tanto'", recordou Beto, lembrando também os embates na Liga dos Campeões. Foi, aliás, diante do Manchester United que fez o único golo com a camisola dos encarnados. Um golo decisivo.
"Sofremos primeiro mas o Geovanni empatou. Faltavam nove minutos, tive a felicidade de chutar e marcar ao Van der Sar. A bola desviou mas o mérito é de quem chuta. Quem não chuta não marca. Passámos aos oitavos-de-final onde fomos defrontar o Liverpool e depois o Barcelona. Era dificil marcar o Ronaldinho. Fizemos de tudo para o marcar e acho que o conseguimos, seja na Luz ou em Barcelona. Perdemos mas fomos eliminados pelos campeões da Europa", reiterou Beto.
Por Flávio Miguel Silva